A gigante do setor de entregas United Parcel Service Inc. (NYSE: UPS) tem enfrentado um período de estagnação nos últimos cinco anos, com suas ações acumulando uma queda de 39%, enquanto o índice S&P 500 subiu 76% no mesmo período.
A empresa tem sofrido, em particular, com o acirramento da concorrência no setor, especialmente por parte da Amazon (NASDAQ: AMZN), e com os altos salários pagos aos seus trabalhadores sindicalizados. Enquanto os motoristas da UPS, representados pelo sindicato Teamsters, recebem até US$ 45 por hora, os motoristas da Amazon, que atuam como trabalhadores autônomos, recebem entre US$ 18 e US$ 25, segundo a Bloomberg.
A Amazon é, ao mesmo tempo, aliada e rival da UPS. Em 2020, a gigante do varejo era a maior cliente da UPS, respondendo por mais de 13% de sua receita. Em 2024, esse número caiu para 12%, mas a Amazon ainda representava de 20% a 25% do volume de rede da UPS nos EUA. Ocorre que a entrega de pacotes pequenos em prazos curtos não resulta em operações lucrativas para a UPS.
No início de 2025, a UPS anunciou que cortaria o volume de encomendas da Amazon em mais de 50% até o dia 30 de junho deste ano.
No entanto, segundo a Bloomberg, isso apenas deslocou a preocupação dos investidores: da dependência que a UPS tinha da Amazon para a dúvida sobre como ela compensará a perda desse volume de entregas. No ano passado, o volume de encomendas da empresa nos EUA caiu 10,8%.
Ajustes em relação à Amazon
“A UPS está em processo de ajustar sua base de custos nacionais para compensar as perdas de volume da Amazon”, escreveu Matthew Young, analista da Morningstar.
Contudo, essa redução “não encerra o relacionamento com a Amazon”, disse a CEO da UPS, Carol Tomé, à Bloomberg. “Eles continuarão sendo um cliente muito importante”. A Amazon ainda precisa do suporte da UPS, dado o alto custo para desenvolver sua própria rede de distribuição nacional, acrescentou Young.
A UPS afirmou que está mantendo os elementos mais rentáveis dessa parceria. Isso significa focar no transporte de pacotes maiores e no processamento de devoluções consolidadas em pontos únicos, como as lojas da UPS, em vez de coletas em residências individuais, explica a Bloomberg.
De qualquer forma, a Amazon tornou-se uma grande concorrente. A gigante do varejo ocupa agora o primeiro lugar em volume de entrega de encomendas nos EUA. “A expansão da capacidade de entrega de pacotes da Amazon não pode ser ignorada”, disse Young.
Mas existem limitações. “A Amazon tem uma capacidade limitada de transporte de longa distância nacional”, observou o analista. “Sua rede parece estar voltada principalmente para a entrega local de pacotes que já se encontram em uma região específica.”
Inovação: história e oportunidade
Em relação a outros temas, a UPS, com seus 119 anos de existência, possui um histórico notável em inovação. Isso inclui desde a implementação de esteiras transportadoras e aviões de carga até sistemas de código de barras. Recentemente, a empresa investiu US$ 100 milhões em um sistema de identificação por radiofrequência para rastrear melhor os bilhões de pequenos pacotes que passam por sua rede logística nos EUA todos os anos.
“Esperamos que a UPS continue aprimorando a produtividade e a eficiência de sua rede de entrega voltada ao consumidor final”, afirmou Young.
Enquanto isso, os resultados financeiros recentes não impressionam, com a receita caindo 3% na comparação anual no quarto trimestre. A margem operacional ajustada nos EUA ficou em 10,2%, praticamente estável em relação ao ano anterior.
Porém, o longo prazo pode ser mais promissor. “Nossa projeção de margem de lucro para 2027 (próxima a 8,5%) ainda pressupõe que a UPS obtenha benefícios relevantes com cortes de custos fixos e variáveis, incluindo a redução natural do quadro de motoristas”, disse Young. Assim, a UPS ainda pode “entregar” seus resultados no prazo.
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