Ligand Pharmaceuticals quase dobra o seu portfólio de medicamentos com nova aquisição

Ellen Chang Analista de Notícias do Mercado

A Ligand Pharmaceuticals (NASDAQ: LGND) quase dobrou o tamanho do seu portfólio de medicamentos e de tratamentos experimentais com a sua mais recente aquisição.

A empresa, com sede em Jupiter, na Flórida, vai comprar a Xoma Royalty por US$ 739 milhões. O acordo confere à Ligand, uma companhia com valor de mercado de US$ 4,6 bilhões, a capacidade de lucrar com mais de 120 medicamentos da Xoma, uma empresa que investe em diversas firmas de biotecnologia.

A Ligand, que atualmente detém os direitos comerciais de medicamentos como o Filspari, um tratamento para doenças renais, e a Capvaxive, uma vacina contra o pneumococo fabricada pela Merck (NYSE: MRK), passará a ter mais de 200 medicamentos. Essa lista inclui tanto remédios que já estão sendo usados em pacientes quanto outros que se encontram em fases avançadas de testes clínicos.

O acordo vai incorporar sete produtos que já estão no mercado e “quase dobrar o nosso portfólio de ativos nas Fases 2 e 3, o que acreditamos que gerará um valor expressivo para os nossos acionistas, tudo por meio de uma única transação”, afirmou Todd Davis, diretor-presidente da Ligand.

A Ligand aumentou a sua projeção de faturamento para uma faixa entre US$ 270 milhões e US$ 310 milhões em 2026, em comparação com a estimativa anterior, que era de US$ 245 milhões a US$ 285 milhões. As receitas com os direitos de comercialização devem subir para um patamar entre US$ 225 milhões e US$ 250 milhões, contra uma previsão anterior de US$ 200 milhões a US$ 225 milhões.

As ações da empresa dispararam 106% no último ano. Oito analistas de Wall Street recomendam a compra das ações.

Empresas de biotecnologia em fase de desenvolvimento e que estão perto de receber a aprovação dos órgãos reguladores federais para lançarem os seus produtos no mercado são, com frequência, alvos de farmacêuticas maiores, que possuem dinheiro em caixa suficiente para bancar o lançamento de um medicamento.

Algumas empresas biofarmacêuticas menores vendem os seus direitos de comercialização e de pagamentos por metas atingidas para companhias como a Xoma ou a Ligand, que apostam que esses negócios vão gerar faturamento no futuro.

Ambas as empresas atuam como consolidadoras de direitos de comercialização, ou seja, investem dinheiro no desenvolvimento de medicamentos enquanto eles ainda estão nas Fases 2 ou 3 de testes. Se os remédios forem aprovados pela agência reguladora americana (FDA), uma porcentagem sobre as vendas (que pode variar de um dígito a dois dígitos) é repassada à Ligand.

“Temos uma carteira de direitos em rápido crescimento, bem como um volume imenso e ainda oculto de produtos em fase de desenvolvimento”, afirmou Davis.

A estratégia anterior da Xoma

A Xoma, sediada em Emeryville, na Califórnia, tornou-se um alvo atraente porque vinha acumulando participações em sete medicamentos já aprovados. Entre eles estão o Ojemda (para o tratamento de câncer no cérebro), fabricado pela Day One Biopharmaceuticals; o Vabysmo (um tratamento ocular) da Roche Holding; e o Miplyffa (para doenças raras), da Zevra Therapeutics.

A carteira da Xoma também inclui 14 medicamentos em fase avançada de desenvolvimento, como o anticorpo mezagitamab, da Takeda Pharmaceutical (NYSE: TAK), e outros compostos promissores.

Em 2025, a Xoma comprou diversas empresas de biotecnologia, inclusive algumas que estavam ficando sem dinheiro em caixa, como a Generation Bio, a Lava Therapeutics, a Mural Oncology e a HilleVax, uma empresa derivada da Takeda.

A compra da Xoma aconteceu porque a empresa está “se aproximando de um ponto de virada financeira” e vai agregar um “crescimento adicional e substancial de produtos” ao longo da próxima década, declarou Todd Davis à publicação Fierce Pharma.

“Conseguimos absorver a carteira [da Xoma] com quase 100% de integração”, afirmou. “Provavelmente, vamos trazer alguns funcionários e assumir algumas obrigações de aluguel, mas não será preciso montar uma infraestrutura de vendas, de fabricação ou de testes clínicos. Portanto, trata-se de um modelo de negócios altamente eficiente de forma geral. As despesas operacionais que antes estavam atreladas à carteira da Xoma agora praticamente desaparecem com essa união.”

A estratégia da companhia é focar na compra de empresas de capital fechado que estejam em fases avançadas de pesquisa, com valor de mercado considerado de pequeno a médio porte, em negócios que variam de US$ 25 milhões a US$ 60 milhões, explicou Davis, segundo a reportagem.

O setor de direitos de comercialização tem um potencial para “mais de US$ 12 bilhões […] em capital disponível para esse fim, mas a grande maioria desse dinheiro ainda está concentrada em negócios que já estão na fase de vendas”, acrescentou.

A estratégia de aquisições da Ligand, voltada para a compra de pequenas e promissoras empresas de biotecnologia, muito provavelmente vai impulsionar ainda mais o seu crescimento no futuro.

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