Você (ou seus pais, dependendo da sua idade) provavelmente se lembra da Reuters, com seus 175 anos de história, como uma força global poderosa no setor de notícias e informações financeiras.
Esses tempos ficaram para trás. Hoje, as notícias da Reuters representam apenas 10% do faturamento da Thomson Reuters (NASDAQ: TRI). Em 2008, a empresa canadense Thomson, uma editora focada no segmento corporativo, comprou o ícone britânico do jornalismo por US$ 17 bilhões. Na sequência, desfez-se da divisão de dados financeiros da Reuters, mantendo apenas a agência de notícias.
Além de sua participação ter se tornado pequena, a Reuters também possui pouca vantagem competitiva, avalia Rob Hales, analista da Morningstar. “Embora a Reuters tenha reconhecimento de marca, o setor de notícias e editorial se tornou, em grande parte, uma commodity”, escreveu ele em um comentário. “Não acreditamos que a Reuters tenha conseguido rentabilizar seu reconhecimento de marca o suficiente para que ele seja considerado um ativo intangível de peso.”
No entanto, o analista avalia de forma bastante positiva a Thomson Reuters como um todo. Trata-se de uma líder mundial no fornecimento de serviços de informação corporativa, entregando dados cruciais, tecnologia e conhecimento especializado para profissionais dos setores jurídico, tributário, contábil, de risco e de conformidade. Os Estados Unidos respondem por 85% da receita da TRI.
Hales oferece uma explicação sucinta do que a Thomson Reuters fornece aos seus clientes. A tecnologia baseada em conteúdo da empresa auxilia esses profissionais em três frentes principais, segundo ele.
Serviços essenciais
Isso inclui “encontrar respostas para questões complexas específicas de cada setor; criar documentos profissionais, como peças jurídicas, declarações de impostos e relatórios de conformidade; e gerenciar riscos, como a decisão de aceitar um novo cliente ou contratar um determinado fornecedor.”
A Thomson possui uma fatia de mercado global excelente em seus principais segmentos. Ela é a número 1 em informação jurídica, a número 2 em impostos e contabilidade profissional, e a número 1 em soluções corporativas jurídicas e fiscais.
Se você é advogado, provavelmente conhece bem o principal produto da TRI, o Westlaw, que gera 25% da receita da empresa. “É a principal ferramenta de pesquisa jurídica nos EUA”, disse Hales. Advogados a utilizam para buscar precedentes, analisar jurisprudência e interpretar leis e normas. Seu banco de dados abrange 150 anos de histórico, mantido e atualizado pelos 1.600 advogados que atuam como editores na companhia.
A Thomson Reuters se beneficia do fato de que seus produtos são fundamentais para o trabalho diário de seus clientes. “O custo de um erro pode ser altíssimo em questões jurídicas e fiscais”, observou Hales. “Consequentemente, os clientes relutam muito em trocar um fornecedor de confiança como a Thomson.”
Além disso, os clientes da Thomson se fidelizam aos produtos após investirem tempo aprendendo a usá-los. Trocar de fornecedor poderia resultar em perda de dados. Para completar, esses produtos costumam ser baratos, o que desestimula a busca pelos concorrentes da Thomson, explicou o analista.
Aquisições corporativas
A Thomson tem se fortalecido através de pequenas aquisições nos últimos anos. Em 2023, comprou a SurePrep, um sistema de tributação, por US$ 500 milhões. No mesmo ano, adquiriu a Casetext, uma plataforma de tecnologia jurídica com recursos de inteligência artificial, por US$ 650 milhões. A expectativa de Hales é que novas aquisições estratégicas complementares ocorram nos próximos anos.
A receita da empresa cresceu 3% no ano passado, e projeta-se que esse crescimento acelere para o patamar de 7,5% a 8% neste ano. A empresa prevê uma margem EBITDA ajustada de 40,2% para 2026, ou seja, 100 pontos-base acima do ano passado. O EBITDA representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
O temor de que a inteligência artificial cause uma ruptura nos negócios da Thomson fez com que as ações da empresa despencassem 48% nos últimos 12 meses. A inteligência artificial, de fato, gera certa incerteza para a companhia e pode tanto ajudá-la quanto prejudicá-la. Contudo, mesmo com a queda recente, as ações da TRI acumulam alta de 103% nos últimos 10 anos.
Portanto, a empresa parece ter um futuro promissor, mesmo sem uma grande contribuição financeira da sua marca mais famosa, a Reuters.
Nota: O autor possui ações da TRI e trabalhou anteriormente na Reuters.
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