IA não significa o fim da linha para Visa e Mastercard

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

O consenso atual nos mercados financeiros é que a inteligência artificial revolucionará empresas movidas pela tecnologia, como as gigantes do setor de pagamentos Visa (NYSE: V) e Mastercard (NYSE: MA).

Os temores de catástrofe se espalham sempre que novas tecnologias ganham espaço. Isso aconteceu com a roda, a máquina a vapor, o aço, as ferrovias, os computadores, a internet e os centros de processamento de dados. Mas, de alguma forma, muitas empresas já consolidadas conseguem prosperar.

Por exemplo, a gigante de computação, programas e serviços International Business Machines (NYSE: IBM), fundada em 1911, resistiu a diversas revoluções tecnológicas em sua época. Inclusive, ajudou a criar algumas dessas inovações, como a introdução dos computadores de grande porte e dos computadores pessoais.

Ela nem sempre foi uma empresa bem administrada. Um sinal de sua cultura corporativa rígida era a exigência de que os funcionários usassem apenas camisas brancas até o início da década de 1990. Essa foi uma época em que a empresa enfrentou crises existenciais, mas conseguiu resistir a essa e a outras tempestades. Suas ações subiram 1.578% nos últimos 50 anos.

Voltando à Visa e à Mastercard, há especulações de que a inteligência artificial represente a marcha fúnebre dessas companhias. Segundo alguns especialistas, tecnologias como a cadeia de blocos de dados e a seleção automatizada de pagamentos as deixariam para trás. Até o momento, neste ano, as ações da Visa recuaram 12% e as da Mastercard, 11%.

O que pode enterrar essas empresas… e o que não

A lógica é que “sistemas de inteligência artificial poderiam direcionar transações diretamente entre as partes utilizando stablecoins ou outras vias de pagamento. Isso poderia reduzir o papel das redes de cartões na cadeia de pagamentos e enfraquecer seu poder de precificação ao longo do tempo”, explica o Investing.com.

No entanto (de acordo com a Evercore), “esse resultado exigiria uma longa sequência de mudanças em todo o ecossistema de pagamentos, incluindo a aprovação dos lojistas para compras automatizadas, mudanças na forma como os consumidores financiam suas despesas, novas estruturas de responsabilidade jurídica e uma maior aceitação de vias de pagamento alternativas.”

Empresas que lideram seus setores geralmente não saem de cena sem lutar. Muitas são capazes de realizar mudanças rápidas e estruturais.

De fato, em março, a Mastercard firmou um acordo para adquirir a startup londrina BVNK, que trabalha com infraestrutura de stablecoins, por até US$ 1,8 bilhão. Já a Visa, por meio de parcerias com plataformas como a Bridge, está lançando cartões vinculados a essas stablecoins em mais de 100 países.

Do lado do cliente, muitos consumidores são fiéis aos seus cartões de crédito, frequentemente devido aos programas de recompensas dos quais tanto gostam.

O curto prazo parece seguro

Voltando às análises da Evercore, citadas pelo Investing.com, seus analistas reconhecem que agentes de inteligência artificial podem facilitar que lojistas e plataformas direcionem os pagamentos para opções mais baratas do que a Visa e a Mastercard. Mas qualquer transição desse tipo seria gradual, em virtude dos fatores mencionados anteriormente.

O comércio conduzido por agentes autônomos não significa que os cartões de crédito desaparecerão rapidamente, afirma a Evercore. Em vez disso, essa mudança beneficiará as empresas que controlam o contato direto com o cliente e determinará como as opções de pagamento serão otimizadas.

Isso pode significar que a Visa e a Mastercard serão as responsáveis por fornecer o sistema de conversão de dados em códigos seguros, a segurança, a verificação de identidade e a infraestrutura de liquidação financeira, de acordo com a Evercore. Assim, elas podem ajudar a impulsionar o futuro do comércio digital, em vez de serem engolidas por ele.

Afinal, a capacidade dessas empresas de se adaptarem às novas tecnologias, bem como de criarem suas próprias inovações, explica grande parte do seu sucesso ao longo dos anos.

O analista Brett Horn, da Morningstar, vê com bons olhos ambas as empresas. “Apesar da evolução contínua do setor de pagamentos, uma ampla vantagem competitiva protege o negócio, e a posição (das duas empresas) na infraestrutura global de pagamentos eletrônicos é essencialmente inatacável.”

Se a IBM conseguiu superar os desafios, por que Visa e Mastercard não conseguiriam?

Nota: O autor possui ações da Mastercard.

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