Ferguson Enterprises amplia a sua presença com mais aquisições

Ellen Chang Analista de Notícias do Mercado

A Ferguson Enterprises (NYSE: FERG), uma gigante na distribuição de materiais hidráulicos, está ampliando sua presença nos EUA por meio da aquisição de concorrentes menores.

A empresa vem crescendo nos últimos quatro anos, mantendo seu ritmo de compra de negócios menores. A companhia consolidou-se como a maior distribuidora de materiais hidráulicos e de sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado nos EUA, com mais de 35.000 funcionários espalhados por mais de 1.700 unidades.

A maior parte do seu um milhão de clientes é composta por construtoras e empresas de manutenção contínua, que adquirem seus suprimentos por meio de 37.000 fornecedores.

As ações da empresa dispararam 47% no último ano, acompanhando o crescimento contínuo da companhia.

Aquisições impulsionam a receita

Desde 2022, a Ferguson Enterprises tem comprado ativamente concorrentes menores, concluindo mais de 24 negócios em regiões americanas como o Nordeste, Meio-Atlântico, Centro-Oeste e em cidades do Sul, como Atlanta. No ano fiscal de 2025, a empresa fechou nove aquisições, sendo quatro delas no quarto trimestre. Juntas, as empresas adquiridas geram uma receita de US$ 300 milhões.

A companhia registrou mais de US$ 30 bilhões em vendas no ano fiscal de 2025, encerrado em 31 de julho.

“A Ferguson construiu posições de liderança na maioria dos seus mercados de atuação com a ajuda dessas aquisições”, escreveu Suryansh Sharma, diretor da Morningstar. “Normalmente, a empresa compra concorrentes locais, ganhando acesso a novas marcas, fornecedores, regiões e clientes. Esperamos que a Ferguson mantenha essa estratégia, o que deve ampliar sua vantagem competitiva baseada em ganho de escala.”

A direção da empresa estima alcançar US$ 40 bilhões em vendas em um prazo de três a cinco anos, com um lucro operacional de US$ 4 bilhões, impulsionada pelo crescimento de 18% do seu setor comercial em 2025.

A empresa, sediada em Newport News, no estado da Virgínia, possui uma “equipe de diretores muito disciplinada, extremamente focada na alocação de recursos”, afirmou Lori Keith, gestora de carteiras de empresas de médio porte da Parnassus Investments, que detinha 2,6 milhões de ações da Ferguson em dezembro de 2025, de acordo com uma reportagem da revista Barron’s.

“Gostamos muito do modelo de negócios deles”, acrescentou ela.

As compras de outras empresas ajudaram a Ferguson Enterprises a aumentar sua receita, que subiu 5% em 2025. No primeiro trimestre do ano fiscal da empresa, encerrado em 31 de março, a receita cresceu 3,6%, atingindo US$ 7,5 bilhões. Mais duas aquisições foram realizadas nesse período, e a companhia assinou acordos definitivos para a compra de outras três empresas.

A companhia provavelmente continuará buscando “oportunidades complementares, em vez de aquisições de grande impacto que trazem maiores riscos”, disse ele.

O aumento na construção de infraestruturas voltadas para inteligência artificial, como a criação de novos centros de processamento de dados, também favoreceu a Ferguson Enterprises. Metade de seus negócios provém de clientes comerciais, a exemplo desses centros de dados para IA. A receita do seu grupo de clientes comerciais e da área mecânica, que abrange grandes projetos, subiu 18% em 2025, após um aumento de 5% em 2024.

A empresa também possui uma “forte participação no mercado comercial por meio das suas áreas de obras hidráulicas, instalações comerciais e mecânicas, além de sistemas de combate a incêndios e manufatura”, escreveu Sharma. “Acreditamos que a Ferguson tem uma carteira robusta de megaprojetos em andamento, incluindo o segmento de centros de processamento de dados, que cresce rapidamente e proporcionará um crescimento sólido para a companhia.”

A outra metade dos negócios vem do setor residencial, que se manteve estável em 2025. O aumento nas taxas de financiamento imobiliário resultou em uma queda na compra de casas. A Ferguson Enterprises quer estar preparada para quando o mercado melhorar ou quando essas taxas caírem, impulsionando a realização de mais reparos e projetos de reforma.

Outro desafio que a empresa enfrenta é a possibilidade de alta nos preços de matérias-primas básicas, como o cobre, um metal utilizado em tubulações de água e nas serpentinas de sistemas de aquecimento e ar-condicionado.

No passado, a Ferguson Enterprises encontrou maneiras de lidar com quedas na receita “controlando custos, expandindo as margens de lucro e investindo em recursos que fortalecem suas vantagens competitivas frente aos rivais”, disse Dave Manthey, analista da consultoria Baird, que estabeleceu um preço-alvo de US$ 285 por ação, segundo a revista Barron’s.

O crescimento médio das vendas para os próximos três anos é estimado entre 5% e 6%, com um aumento de 10% no lucro por ação, de acordo com analistas de Wall Street.

A Ferguson Enterprises provavelmente gerará lucros maiores e melhores margens financeiras, já que sua diretoria planeja continuar expandindo a empresa por meio de novas aquisições, aumentando, assim, sua participação no mercado.

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