Foi meia década perdida para a Clorox (NYSE: CLX), a renomada fabricante de produtos de limpeza doméstica e outros bens de consumo, incluindo a sua marca homônima, Liquid-Plumr e Pine-Sol.
As suas ações registraram retornos totais anualizados negativos de 8% nos últimos cinco anos e de 27% no último ano. Entre os problemas enfrentados, destacam-se:
A empresa de 113 anos sofreu uma desaceleração natural nas vendas com o recuo da pandemia de Covid em 2022, o que reduziu a demanda por produtos de limpeza.
A inflação permanece acima de 2% desde 2021, o que aumentou os custos da Clorox e a forçou a cobrar mais dos consumidores por cada unidade de seus produtos. A reação dos consumidores aos preços mais altos foi migrar para as marcas próprias dos supermercados. As tarifas também elevaram os custos da empresa.
A implementação, em 2025, de um novo sistema de planejamento de recursos empresariais (ERP), parte de um investimento de US$ 580 milhões em operações digitais, foi repleta de problemas. O ERP é um sistema de software que integra os principais processos de negócios (como o setor financeiro, a produção e as vendas) em uma única plataforma. Essas falhas resultaram em atrasos nas entregas, falta de estoque e perda de participação de mercado. Devido principalmente a esses contratempos, as vendas da Clorox despencaram 19% no trimestre encerrado em 30 de setembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Um ataque cibernético de grandes proporções em 2023 paralisou as operações e prejudicou os resultados financeiros, gerando uma perda de US$ 380 milhões em faturamento, segundo a empresa. O incidente expôs as vulnerabilidades dos sistemas de dados obsoletos da Clorox. Foi necessário um ano inteiro para reconstruir a plataforma tecnológica.
Impacto nos lucros
Os problemas ainda são evidentes nos lucros da Clorox. No trimestre encerrado em 31 de dezembro, as vendas caíram 1% e o lucro ajustado por ação recuou 10%. Para o ano fiscal que se encerra em 30 de junho, a empresa prevê uma queda nas vendas de 6% a 10%, e o lucro por ação não ajustado deverá sofrer uma retração entre 9% e 14%.
No entanto, a analista da consultoria Morningstar, Erin Lash, ainda acredita na Clorox. “Com a sua posição consolidada no varejo e o foco incessante em investir no seu portfólio de marcas líderes, a Clorox resistiu à enxurrada de pressões da pandemia, das interrupções na cadeia de suprimentos, da inflação desenfreada e do ataque cibernético”, escreveu ela em um relatório.
“Mais recentemente, a empresa reconheceu um aumento nos gastos com promoções em todo o setor, principalmente nos segmentos de areia sanitária, sacos de lixo e embalagens. Ainda assim, não acreditamos […] que a empresa esteja buscando uma estratégia focada em volume de vendas em detrimento do valor de seus produtos. Pelo contrário, a Clorox continua determinada a investir para sustentar a saúde do seu negócio a longo prazo, garantindo que a sua vantagem competitiva permaneça intacta.”
Além de reforçar as suas próprias marcas, Lash aprovou a compra, realizada em abril, da Gojo Industries, fabricante do desinfetante para as mãos Purell, por US$ 2,25 bilhões. “A aquisição deve impulsionar as perspectivas de crescimento, já que o faturamento da marca Purell tem crescido a uma taxa na faixa intermediária de um dígito ao longo de décadas”, afirmou.
Lash prevê que a Clorox desfrutará de um crescimento anual de vendas entre 3% e 4%, com margens de lucro operacional na faixa superior de dois dígitos nos próximos 10 anos, o que superaria as expectativas implícitas do mercado em 200 pontos-base em ambas as métricas.
Assim, talvez a Clorox consiga, de fato, limpar a sua bagunça no corredor 2026.
Nota: O autor possui ações da Clorox.
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