A crescente demanda por inteligência artificial exige que a conectividade dos centros de dados e das empresas de telecomunicações opere em velocidades extremamente rápidas, o que beneficia empresas como a Ciena (NYSE: CIEN).
Como a Ciena é uma empresa de infraestrutura de redes, seus produtos vêm se destacando como ferramentas essenciais para seus clientes. Isso inclui tanto empresas de telecomunicações que estão atualizando suas redes, como a AT&T (NYSE: T) e a Verizon Communications (NYSE: VZ), quanto os hiperescaladores (gigantes que fornecem serviços em nuvem em larga escala), como a Amazon (NASDAQ: AMZN) e o Google, da Alphabet (NASDAQ: GOOGL), que buscam ampliar sua capacidade.
A demanda por largura de banda dispara nos centros de dados
A demanda por serviços de rede disparou rapidamente entre os provedores de centros de dados. Os investidores demonstraram forte interesse em empresas do setor, fazendo com que as ações da Ciena saltassem 744% nos últimos cinco anos, sendo que a maior parte desse ganho (cerca de 720%) ocorreu apenas no último ano.
A Ciena divulgou um forte primeiro trimestre fiscal, com a receita atingindo US$ 1,43 bilhão (um aumento de 33% na comparação anual) e o lucro ajustado por ação de US$ 1,35, representando um crescimento de 111% em relação ao primeiro trimestre fiscal de 2025.
A empresa espera que a demanda continue crescendo e estima que a receita alcance US$ 1,5 bilhão, com uma margem de US$ 50 milhões para mais ou para menos, no segundo trimestre fiscal de 2026. Além disso, elevou sua projeção de receita para o ano fiscal de 2026 para a faixa de US$ 5,9 bilhões a US$ 6,3 bilhões, o que representa um aumento de 28% na comparação anual, considerando o valor médio da estimativa.
Em março, a recomendação para a ação foi elevada para “compra” pelo BofA Securities, que também aumentou o preço-alvo de US$ 260 para US$ 355, segundo um relatório de análise.
O orçamento destinado a redes costumava ser mais cíclico, mas agora os provedores de serviços em nuvem estão alocando uma fatia maior de seus investimentos de capital para soluções de conectividade. Essa mudança de foco ocorre devido à construção em massa de novos centros de dados.
“Os investimentos do setor de nuvem em tecnologia óptica permanecem robustos, com os provedores adicionando uma capacidade significativa (de centros de dados) para os próximos três anos”, escreveu Tal Liani, analista do BofA Securities. “Definimos o momento atual como um superciclo e esperamos que ele se estenda com força até 2027.”
Das redes ópticas ao roteamento e comutação de dados, a Ciena está se consolidando como uma verdadeira potência para seus clientes hiperescaladores. Segundo Atif Malik, analista do Citi, essas gigantes às vezes precisam desembolsar centenas de milhões de dólares para interligar seus centros de dados e compartilhar informações.
Embora o valor de mercado da Ciena pareça alto (avaliado em US$ 67,8 bilhões), “essa avaliação é justificada” devido ao potencial da empresa de expandir suas receitas, acrescentou Malik. Em março, ele também elevou o preço-alvo da ação de US$ 280 para US$ 345.
Para atender à crescente demanda por largura de banda, os clientes da Ciena estão investindo em infraestrutura de rede, e não apenas em chips semicondutores para aumentar o poder de processamento.
Restrições na cadeia de suprimentos
A conectividade de alta velocidade tornou-se um requisito fundamental para que mais empresas adotem a inteligência artificial e aumentem sua produtividade. No entanto, o grande obstáculo que a Ciena enfrenta atualmente é conseguir atender a essa forte demanda em meio à escassez de componentes.
“A Ciena está no lugar certo e na hora certa, oferecendo suas soluções ópticas de ponta (de 1,6 Tb/s), à medida que os investimentos de capital dos hiperescaladores, das novas empresas de nuvem e dos centros de dados crescem em um ritmo astronômico”, avaliou Mark Giarelli, analista de ações da Morningstar.
Ele destacou ainda que a lacuna entre a demanda dos clientes e a capacidade de fabricação da empresa está aumentando.
“A Ciena está severamente limitada pela oferta. Os principais gargalos são os componentes ópticos e fotônicos, que pouquíssimos fornecedores conseguem fabricar em larga escala”, afirmou Giarelli.
Para ampliar sua capacidade de fabricação, a empresa planeja quase dobrar seus investimentos de capital neste ano, embora essas despesas representem apenas de 4% a 5% de suas vendas totais.
A Ciena registrou US$ 2 bilhões em novos pedidos no primeiro trimestre fiscal, elevando o valor total de sua carteira de encomendas para US$ 7 bilhões.
“Embora esse seja um forte sinal da demanda dos clientes, continuamos cautelosos em relação ao tempo que a empresa levará para dar vazão a essa carteira acumulada”, observou o analista da Morningstar. “Os concorrentes podem capturar uma fatia desses pedidos se a Ciena não conseguir acelerar suas entregas rapidamente.”
Por outro lado, o Barclays aponta que a Ciena já substituiu alguns de seus componentes, renegociou contratos com fornecedores e vem cortando custos. Em março, o banco de investimentos elevou o preço-alvo da ação de US$ 279 para US$ 372.
A Ciena possui uma presença consolidada junto aos hiperescaladores e às empresas de telecomunicações, estando bem posicionada para se manter como a fornecedora preferida desse mercado.
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