A UPS quer fazer uma entrega: uma recuperação

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

A UPS (NYSE: UPS), a maior empresa de entrega de pequenos pacotes dos EUA, passou por uma montanha-russa nos últimos anos.

A pandemia de Covid impulsionou a empresa entre 2020 e 2021, com o aumento do volume e dos preços dos pacotes. Mas esse efeito desapareceu, e as ações caíram 49% desde o fim de 2022.

As finanças da UPS sofreram com um generoso pacote salarial de cinco anos concedido aos trabalhadores em 2023. Motoristas em tempo integral podem, no fim, receber US$ 170.000 por ano em compensação total.

O fraco consumo de bens, a alta inflação e os aumentos de tarifas também prejudicaram a empresa. Isso inclui a eliminação, no ano passado, da isenção tarifária de minimis nos EUA, que permitia a entrada de remessas de até US$ 800 sem impostos. Além disso, a UPS está substituindo todos os seus 28 aviões MD-11, após a queda de um cargueiro em novembro.

Talvez o maior acontecimento tenha sido a decisão da UPS, no ano passado, de reduzir em mais de 50% o volume de pacotes transportados para a Amazon (NASDAQ: AMZN).

A gigante do varejo e tecnologia era o maior cliente da UPS, respondendo por 20% a 25% do volume de pacotes em 2024. Mas esse negócio representava somente entre 11% e 11,8% da receita da UPS, prejudicando suas margens de lucro. Por isso, a empresa decidiu reduzir a relação com a Amazon, com conclusão prevista para meados deste ano.

Reestruturação mais ampla

A medida faz parte de uma reestruturação maior. A UPS cortou 48.000 empregos em 2025 e anunciou planos, na semana passada, de eliminar mais 30.000 neste ano. Agora, conta com cerca de 490.000 funcionários.

A empresa fechou mais de 90 prédios em 2025, implantou automação em outros 57 e planeja encerrar pelo menos 24 no primeiro semestre deste ano. A UPS afirma que todos os cortes, incluindo a redução da parceria com a Amazon, economizaram US$ 3,5 bilhões no ano passado.

Mas a UPS não está apenas na defensiva. Ela está trabalhando para expandir em saúde, entregas entre empresas, pequenas e médias empresas e remessas para o exterior.

No ano passado, comprou a Andlauer Healthcare Group por US$ 1,6 bilhão. Ela é uma empresa canadense que oferece logística terceirizada e transporte refrigerado para o setor de saúde. Também em 2025, a UPS adquiriu a Frigo-Trans e sua empresa irmã BPL, por valor não divulgado, que oferecem serviços semelhantes na Europa.

Além disso, a UPS planeja abrir um novo centro aéreo nas Filipinas no fim deste ano e concluir a expansão de sua operação em Hong Kong com um novo centro de operações em 2028.

Resultados financeiros

Obviamente, algo está dando certo para a UPS. A empresa superou as previsões de receita e lucro dos analistas no quarto trimestre, mesmo com a queda de 3,2% na receita em relação ao ano anterior. O lucro por ação subiu 4,5%. A margem operacional ajustada caiu para 11,8%, ante 12,3%.

Os investidores reagiram positivamente às medidas da UPS nos últimos seis meses, elevando as ações em 30%.

E o analista da Morningstar, Matthew Young, vê boas perspectivas para a empresa. O retorno sobre o capital investido (ROIC) da UPS foi em média de cerca de 20% na última década, superando seu custo de capital. Embora o ROIC tenha diminuído entre 2023 e 2025, “temos muita confiança de que os retornos excedentes permanecerão por pelo menos os próximos 10 anos”, disse ele.

Assim, a UPS pode entregar, além dos pacotes, lucros fortes.

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