A gigante farmacêutica Johnson & Johnson (NYSE: JNJ) parece ter tomado a decisão correta em 2023 ao concentrar seus esforços nas divisões farmacêutica, de tecnologia e de dispositivos médicos.
Com um valor de mercado de US$ 572 bilhões, a empresa divulgou um crescimento de 9,9% na receita no primeiro trimestre, com vendas de US$ 24,06 bilhões, superando as estimativas de Wall Street, que previam US$ 23,61 bilhões.
O maior crescimento veio da divisão de medicamentos inovadores da J&J, que engloba a área de oncologia, cujas vendas subiram 11%. Simultaneamente, sua unidade de tecnologia médica avançou 7,7%, impulsionada por produtos de eletrofisiologia, pelas aquisições da Abiomed e Shockwave no segmento cardiovascular, além de soluções para traumas em ortopedia.
A farmacêutica afirmou que o aumento na receita foi reflexo da maior comercialização de tratamentos oncológicos, com destaque para os medicamentos Darzalex, Carvykti e Tecvayli (voltados para o mieloma múltiplo). Além desses, o Tremfya (anti-inflamatório) e o Spravato (spray nasal aprovado para depressão resistente a tratamento) também contribuíram para a expansão.
As vendas do Stelara, medicamento voltado para a imunologia, recuaram 60% no trimestre, visto que a patente expirou no fim de 2023, embora a entrada de biossimilares no mercado só tenha ocorrido de fato em 2025.
Diferente de seus concorrentes, a Johnson & Johnson não enfrentará novas quebras de patentes em sua linha principal até 2031, prazo de validade da proteção do Tremfya. As ações da gigante biofarmacêutica subiram 55% no último ano, refletindo a mudança de foco para o fornecimento de produtos farmacêuticos e tecnologia médica. A Johnson & Johnson também aprovou um aumento de 3,1% nos dividendos, marcando o 64º ano consecutivo em que a empresa eleva seus proventos.
A companhia desmembrou sua divisão de saúde do consumidor (que comercializava medicamentos isentos de prescrição como Tylenol, Zyrtec e Motrin, além de marcas como Band-Aid, Neutrogena e Listerine), transformando-a na Kenvue (NYSE: KVUE) em agosto de 2023.
CFO espera crescimento de dois dígitos em oncologia
A Johnson & Johnson estima que sua trajetória de crescimento se manterá, prevendo um avanço de dois dígitos e US$ 50 bilhões em vendas de medicamentos oncológicos até 2030. Analistas do TD Cowen classificaram a meta como “ambiciosa, porém alcançável” em nota aos investidores.
A biofarmacêutica está confiante na continuidade da expansão de sua receita, o que inclui um aumento de 7% em 2026, conforme afirmou o CFO Joe Wolk à Barron’s.
“O fato de o desempenho vir de marcas consolidadas e já presentes no mercado sugere que o negócio está protegido contra riscos”, afirmou ele. “Adicionamos novos produtos ao nosso portfólio, o que nos dá clareza para um crescimento de dois dígitos até o fim da década. Para um negócio que deve atingir os cem bilhões de dólares até o fim do ano, isso é muito significativo.”
Em março, a FDA (agência reguladora de saúde dos EUA) aprovou o Icotyde como o primeiro peptídeo oral direcionado para o tratamento da psoríase em placas. O potencial terapêutico do medicamento é amplo, visto que o Icotyde é um comprimido de uso diário, facilitando a adesão de pacientes que evitam tratamentos injetáveis.
“Ele possui eficácia equivalente e um perfil de segurança tão sólido quanto o dos medicamentos biológicos”, destacou Wolk, segundo a Barron’s. “Acreditamos que isso abre uma nova oportunidade de mercado, e parte do investimento realizado no trimestre foca justamente no sucesso deste lançamento.”
A Johnson & Johnson reportou que suas despesas com Pesquisa e Desenvolvimento cresceram 9,4% no último trimestre, mas geraram US$ 1,5 bilhão em fluxo de caixa livre. A empresa projeta uma receita entre US$ 100,3 bilhões e US$ 101,3 bilhões para 2026, elevando levemente sua estimativa anterior (que era de US$ 100 bilhões para US$ 101 bilhões). A companhia espera um lucro ajustado por ação entre US$ 11,45 e US$ 11,65, ante a estimativa prévia de US$ 11,43 a US$ 11,63.
Em novembro passado, a FDA aprovou o uso do Caplyta (medicamento antipsicótico incorporado após a aquisição da Intra-Cellular Therapies) como terapia complementar ao uso de antidepressivos.
A Johnson & Johnson segue bem posicionada para manter sua liderança no setor farmacêutico, com uma produção diversificada que vai da oncologia à imunologia, além de um fluxo de novos projetos robusto de pesquisa para o desenvolvimento de futuros medicamentos.
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