AB InBev: A soberana das cervejas?

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

“Nada supera uma Bud” é apenas um slogan publicitário da Budweiser, uma das principais cervejas da Anheuser-Busch InBev (CBOE: ABI). Mas talvez essa propaganda tenha um fundo de verdade.

A AB InBev é a maior cervejaria do mundo, com mais do que o dobro do volume de vendas de sua maior concorrente, a Heineken (CBOE: HEIA). Além da Budweiser, as principais marcas da InBev incluem Michelob (Michelob Ultra é a cerveja mais vendida nos EUA), Corona (a InBev detém os direitos de venda fora dos EUA) e Stella Artois.

A InBev é resultado de inúmeras fusões, incluindo a união da belga InterBrew com a brasileira AmBev em 2004, a compra da Anheuser-Busch em 2008 e a aquisição da SABMiller em 2016.

As ações da InBev tiveram um retorno impressionante de 54% no último ano, mas apenas 6% anualizados nos últimos cinco anos.

Sob uma perspectiva geográfica, em 2024, 29% da receita da empresa veio da América Central, que inclui México, El Salvador, Honduras e partes do Caribe. Em seguida vieram a América do Norte com 25%, a América do Sul com 21%; a Europa, o Oriente Médio e a África com 15% e a Ásia-Pacífico com 10%.

A fórmula do sucesso

Esses números se traduzem em sucesso para a InBev. “Suas posições quase monopolistas em vários mercados [como Brasil e Argentina] dão à empresa uma significativa vantagem de custos fixos e maior poder de barganha com fornecedores”, escreveu a analista da Morningstar, Verushka Shetty.

“Isso se reflete nas margens líderes de mercado, no retorno sobre capital investido (ROIC) acima da média e na conversão de caixa de excelência da companhia.” Forte conversão de caixa significa que a InBev gera dinheiro com vendas muito mais rápido do que paga por seu estoque e despesas.

Quanto às margens de lucro, a empresa reportou uma margem EBITDA normalizada de 35,8% no ano passado, alta de 101 pontos-base em relação a 2024. EBITDA significa lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

A posição privilegiada da InBev em mercados emergentes, como a América Latina e a Ásia, garante à empresa uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes, dado o forte crescimento de demanda esperado para essas regiões nos próximos anos.

Cerca de 70% do EBITDA da empresa vem de mercados emergentes, que devem representar mais de 80% do crescimento do volume de cerveja até 2029, segundo o CEO Michel Doukeris. Em contraste, analistas esperam queda da demanda nos próximos 20 anos em mercados desenvolvidos, à medida que os consumidores priorizam cada vez mais a saúde.

Marcas de alto padrão em destaque

Enquanto isso, Shetty afirma: “A InBev está bem posicionada para capitalizar tendências de sofisticação do consumo de longo prazo, em que consumidores trocam cervejas domésticas por importadas.” Suas marcas de padrão superior incluem Budweiser, Corona e Stella Artois. As principais marcas da companhia cresceram acima do seu desempenho geral no ano passado.

Outro ponto forte da InBev é o BEES (abelha em inglês), sua plataforma de negócios entre empresas e aplicativo digital. O BEES é uma plataforma de vendas digital onde clientes (varejistas) podem navegar por produtos, fazer pedidos, gerenciar faturas e ter acesso a análises e inteligência de dados.

Atualmente é usado em 20 mercados com cerca de 3,1 milhões de usuários ativos mensais, segundo a empresa. A InBev também está desenvolvendo aplicativos de venda direta ao consumidor para entregas em domicílio em mercados como América do Sul e África do Sul. “A InBev está à frente da concorrência com suas soluções digitais”, disse Shetty.

A empresa também está expandindo fortemente suas linhas Beyond Beer (Para Além da Cerveja) e cervejas sem álcool. Beyond Beer inclui coquetéis prontos para beber, hard seltzers e outras bebidas alcoólicas. A categoria já representa 3% da receita da InBev, e a empresa espera que o volume de vendas cresça ao dobro da taxa de seu segmento de cerveja.

Quanto aos resultados, a receita orgânica da InBev, que exclui variações cambiais e fusões, cresceu 2% em 2025. A receita total caiu 0,8% devido ao câmbio. O volume recuou 2,3%, o que significa que o ganho de receita veio de aumentos de preço. O lucro ajustado subiu 4,9%.

De qualquer forma, o copo parece estar mais do que meio cheio para a InBev daqui em diante.

O autor possui ações da AB InBev.

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