Para quem cresceu nos anos setenta, uma camisa polo da Ralph Lauren (NYSE: RL) era um sinal de distinção, um símbolo de um estilo de vida sofisticado.
As camisas, com seu emblema representado por um jogador de polo, eram inicialmente populares entre os ricos e com boa formação. Mas o prestígio das polos da Ralph Lauren se espalhou a ponto de se tornarem um elemento importante da cultura hip-hop e da moda urbana.
Os produtos da Ralph Lauren são voltados para o grande público, mas custam mais do que os da concorrência. Uma camisa polo masculina padrão custa 118 dólares no site da Lauren, ajudando a impulsionar os lucros da empresa.
Os investidores aprovaram. A ação gerou rendimentos totais anualizados de 60% no último ano, 46% nos últimos três anos e 24% nos últimos cinco anos, superando o índice S&P 500. Mas o caminho teve seus percalços: a ação despencou 64% de dezembro de 2014 até março de 2020.
O maior problema da empresa foi o controle deficiente de estoque, que levou a grandes descontos em seus produtos. Em resposta a essa situação, “ela fechou lojas próprias com desempenho abaixo do esperado, diminuiu sua presença em lojas de departamento e pontas de estoque nos EUA, e reduziu o tempo de produção”, observa o analista da Morningstar, David Swartz.
“Essa reestruturação colocou a Ralph Lauren em uma boa posição enquanto enfrenta desafios macroeconômicos.” (Esses desafios incluem taxas alfandegárias e baixa no consumo.)
Mais especificamente, as medidas favoreceram as margens de lucro da Ralph Lauren, com sua margem operacional subindo 150 pontos-base para 69,9% no trimestre encerrado em dezembro, na comparação com o ano anterior. As vendas cresceram 12% e o lucro saltou 22%.
Um aumento nas vendas diretas ao consumidor, que dão à empresa mais controle sobre preços e posicionamento, também está ajudando. Swartz prevê que essas vendas subirão para 75% da receita no ano fiscal de 2035, contra 67% em 2025. Isso é importante à medida que os consumidores compram menos em lojas físicas e mais pela internet.
A Ralph Lauren está prosperando em todo o mundo. No trimestre encerrado em dezembro, a receita na América do Norte aumentou 8%, na Europa 12% e na Ásia 22%. A América do Norte responde por 45% da receita da empresa, a Europa por 28% e a Ásia por 26% (outros segmentos representam o 1% restante).
Analistas dizem que os mercados estrangeiros fornecerão grande parte do crescimento da Ralph Lauren nos próximos anos. “Sua marca é considerada de mais alto padrão na Europa e na Ásia do que na América do Norte, permitindo menos descontos e preços médios mais altos por unidade”, disse Swartz.
Ele projeta um crescimento médio anual de vendas de 4% nos próximos 10 anos na Europa e 6% na Ásia, “onde a Ralph Lauren fica atrás de alguns concorrentes”. Ele espera que o crescimento total da empresa fique entre 3% e 5% nos próximos três anos.
Enquanto isso, como a marca Ralph Lauren é talvez seu ativo mais valioso, a promoção e a publicidade são importantes para a empresa. Ela gastou 7,3% da receita de vendas em promoção e publicidade no ano fiscal de 2025, encerrado em março, contra 4,5% cinco anos antes.
“No passado, a empresa tinha muitas marcas e sua divulgação era sem foco, resultando em apoio inadequado para suas marcas e produtos principais”, disse Swartz. Mas a ênfase em redes sociais e eventos virtuais está fazendo a diferença.
“Esses esforços estão dando resultado e a Ralph Lauren conseguiu reduzir despesas desnecessárias para investir mais em divulgação”, disse Swartz. A empresa tem conseguido apresentar uma imagem marcante de si mesma.
“A Ralph Lauren ocupa um lugar de destaque na cultura popular americana que poucas outras marcas podem reivindicar… e provou ter apelo internacional”, disse ele, observando que suas roupas frequentemente aparecem em capas de revistas de moda e em grandes eventos como o Oscar, os principais torneios de tênis e as Olimpíadas.
Portanto, parece que a empresa continuará na moda.
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