A News Corp. escapou da crise na mídia; esse sucesso vai durar?

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

Muitas empresas de mídia entraram em declínio nos últimos anos, devido ao avanço das publicações digitais e do setor de transmissão de vídeo.

No entanto, a News Corp. (NASDAQ: NWSA), controlada pela família Murdoch, não é uma delas.

A editora do The Wall Street Journal e do The Times de Londres gerou um retorno total anual de 19% nos últimos três anos, aproximando-se da rentabilidade de 20% do índice S&P 500. Embora não seja um desempenho extraordinário, supera com folga o de muitas outras empresas do setor.

“A News Corp. está melhor posicionada que seus concorrentes no setor editorial para migrar do modelo impresso para a era digital”, escreveu Brian Han, analista da Morningstar. “A empresa detém alguns dos títulos mais respeitados do setor (The Wall Street Journal e The Times) e conta com recursos editoriais robustos, especialmente quando comparados aos de seus rivais, que vêm perdendo força.”

No trimestre encerrado em 31 de dezembro, a News Corp. registrou um crescimento de 6% na receita em comparação ao ano anterior e uma alta de 9% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

A divisão Dow Jones da empresa, que inclui o The Journal e a revista Barron’s, impulsionou os resultados com um aumento de 8% na receita. O setor de Serviços Digitais Imobiliários, que inclui o site Realtor.com, registrou o mesmo percentual de crescimento.

Resultados expressivos do Wall Street Journal

A Dow Jones, principal unidade de negócio da News Corp., é responsável por 27% da receita total do grupo. Seu carro-chefe, o The Journal, registrou um aumento de 11% nas assinaturas no último trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado não surpreende, já que o jornal é considerado um dos melhores do mundo. As assinaturas exclusivamente digitais cresceram 12% e já representam 92% do total de assinantes do The Journal. Fica claro, portanto, que a publicação está se adaptando com sucesso à era digital.

Contudo, podem existir problemas ocultos. Segundo Han, a News Corp. adquiriu várias publicações nos últimos anos pagando “valores elevados”. “Como resultado, o retorno sobre o capital da Dow Jones nos últimos anos não tem sido impressionante… É pouco provável que sua rentabilidade supere o custo de capital de forma sustentável.”

A segunda maior unidade da News Corp. é a de edição de livros, representando 26% do faturamento. Sua joia da coroa é a editora Harper Collins, cuja receita subiu 6% no trimestre encerrado em 31 de dezembro. Entre os títulos de destaque estão “Wicked: The Official Visual Companion” (em tradução livre: Wicked: O Guia Visual Oficial), de Gregory Maguire, e “How to Test Negative for Stupid” (em tradução livre: Como Testar Negativo para a Estupidez), de John Kennedy.

Apesar disso, o mercado de livros é “um setor difícil, no qual a Harper Collins e outros selos da News Corp. enfrentam diversos concorrentes”, afirmou Han. A pandemia de Covid-19 e o crescimento dos audiolivros ajudaram a impulsionar as vendas do setor.

“Contudo, as vendas de livros ainda dependem de gostos inconstantes e enfrentam incertezas estruturais, com o excesso de alternativas de entretenimento digital e um modelo de monetização de plataformas de áudio que ainda está sendo definido”, acrescentou.

Setores de mídia e imobiliário

A divisão News Media (de notícias) gera 25% da receita da News Corp. e engloba o The Times, o New York Post e jornais australianos. A receita permaneceu estável no último trimestre, enquanto a empresa trabalha intensamente para migrar seus jornais para o formato digital.

Entretanto, “a disputa por audiência e anunciantes na internet é ainda mais agressiva” do que no meio impresso, alertou Han. O crescimento explosivo das redes sociais torna o cenário desafiador, já que essas plataformas se beneficiam de uma redução drástica nos custos de produção.

O Digital Real Estate Services (Serviços Digitais Imobiliários) é a quarta maior unidade da empresa, com 22% da receita, e é formado por plataformas de corretagem online. O faturamento cresceu 8% no último trimestre. O mercado de anúncios de imóveis residenciais nos EUA é “extremamente competitivo”, o que torna esse segmento difícil para a News Corp., observou Han.

Em relação à inteligência artificial, ainda é cedo para saber se a tecnologia será benéfica ou prejudicial para a companhia. 

De qualquer forma, talvez a News Corp. consiga superar os problemas citados por Han, pelo menos no curto prazo. “Dada a trajetória atual dos nossos principais impulsionadores, acreditamos que as perspectivas para o trimestre (encerrado em 31 de março) são auspiciosas”, disse o CEO Robert Thomson em 5 de fevereiro.

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