Live Nation prospera apesar das ações judiciais

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

Live Nation (NYSE: LYV), a maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo, tem superado o mercado de ações no longo prazo com um modelo de negócios poderoso e integrado.

Uma série de ações judiciais movidas pelo governo contra sua divisão de vendas de ingressos, a Ticketmaster, jogou um balde de água fria no desempenho da companhia recentemente. Mas não está claro o quanto isso realmente importa, já que os ingressos representaram apenas 12% da receita da Live Nation nos primeiros nove meses de 2025.

Além da Ticketmaster, a empresa possui uma divisão de shows, responsável por 83% da receita, e um segmento de patrocínio e publicidade, que responde por 5%. A Live Nation é proprietária e/ou opera cerca de 400 casas de espetáculos em todo o mundo, variando de pequenos clubes a arenas com capacidade para 20.000 a 30.000 pessoas. Ela não possui grandes estádios ao ar livre.

Os diversos negócios da Live Nation atendem praticamente todos os elementos de um evento ao vivo. Sua unidade de shows inclui promoções e o espaço para o evento. Os agentes dos artistas contratam promotores para seus eventos, e os promotores encontram um local. Assim, a Live Nation frequentemente consegue direcionar os shows que promove para seus próprios espaços, observa o analista da Morningstar, Matthew Dolgin.

Como promotora, a Live Nation ajuda artistas a gerenciar suas turnês. Não só encontrar o espaço para o evento, também os divulga, cuida da venda de ingressos via Ticketmaster e lida com a logística dos espetáculos.

A vantagem de possuir o espaço para o evento

Ser proprietária desses espaços oferece à Live Nation múltiplas oportunidades de receita. Isso inclui o aluguel por sediar esses eventos, venda de alimentos e bebidas e estacionamento. Em junho, a Live Nation anunciou que construirá ou renovará 18 espaços de eventos em 18 cidades nos próximos 18 meses. Dolgin está bastante entusiasmado com as oportunidades internacionais.

A divisão de shows tem uma margem de lucro baixa, 5,6% de margem operacional ajustada nos primeiros nove meses de 2025. Mas esse número pode trazer um entendimento equivocado, afirma Dolgin.

“A Live Nation pode operar shows com margens tão estreitas porque os shows permitem que ela obtenha lucros em outras áreas”, disse. “A receita de patrocínio opera com margens extremamente altas e representa um terço do lucro total da empresa. E é um subproduto direto do mercado de shows.”

Cerca de dois terços da receita de patrocínio e publicidade da Live Nation estão associados aos shows que ela promove e aos espaços onde eles acontecem. Essa fonte de lucro não existiria sem o mercado de shows, observa Dolgin. A divisão de patrocínio e publicidade teve uma margem de 68% de lucro operacional ajustado nos primeiros nove meses de 2025.

E há a Ticketmaster. Ela se beneficia de um fluxo contínuo de espaços para eventos que a Live Nation possui e dos shows que promove. O sucesso se retroalimenta, e a inovação da Ticketmaster a manteve à frente da concorrência, disse Dolgin.

Números impressionantes da Ticketmaster

A Ticketmaster é mais do que a plataforma de venda de ingressos dos shows da Live Nation. Ela tinha cerca de 10.000 clientes em 2024 e vendeu 638 milhões de ingressos, grande parte deles para eventos esportivos. “A Ticketmaster é, sem sombra de dúvidas, a líder da indústria de venda de ingressos”, disse Dolgin, e ainda foi o aplicativo móvel que mais cresceu nos EUA em 2022, segundo a Comscore.

A unidade, no entanto, está sob ataque de ações movidas pelo Departamento de Justiça, pela Comissão Federal de Comércio e por estados norte-americanos, por supostas práticas monopolistas e violações antitruste.

Como algumas dessas ações começaram antes do governo Trump assumir, não está claro o seu comprometimento com as mesmas. Também não está claro se o governo venceria essas ações. E, mesmo que vencesse, o impacto sobre a Live Nation é incerto.

De qualquer forma, a última ação judicial do governo, anunciada em setembro, ajudou a derrubar as ações da Live Nation em 28% entre 11 de setembro e 24 de novembro.

No entanto, elas já se recuperaram 16% desde então, e o histórico está a seu favor. As ações tiveram um retorno anualizado de 19,5% nos últimos 10 anos, em comparação com 14,8% do S&P 500. Assim, o futuro pode ser promissor para a Live Nation, mas as ações judiciais impetradas pelo governo continuam sendo uma incógnita.

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