No setor de gestão de patrimônio, não subestime a LPL

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

Quando se fala em gestão de patrimônio, os primeiros nomes que vêm à mente provavelmente são Goldman Sachs (NYSE: GS) e Morgan Stanley (NYSE: MS)

Uma empresa que recebe menos atenção é a maior corretora independente do país, a LPL Financial (NASDAQ: LPLA). Você pode pensar nela como um grande centro de apoio operacional e administrativo para consultores financeiros de empresas independentes. A LPL oferece serviços de corretagem e consultoria, liquidação de operações, garantia de conformidade às regras e gestão de riscos, além de pesquisa independente de investimentos.

A empresa parece estar operando a todo vapor. “Dado o seu modelo de negócios, faz sentido que a LPL tenha se tornado a plataforma preferida dos consultores financeiros”, escreve Sean Dunlop, analista da Morningstar, que classifica a LPL como sua ação favorita no setor de gestão de patrimônio.

Ele tem uma preferência especial pelo modelo de negócios por seu “conjunto cada vez mais amplo de serviços complementares, como estratégias de compensação de perdas fiscais, planejamento sucessório e uma modesta, mas crescente, oferta de ativos alternativos”. Isso permite que os consultores atendam de forma completa os clientes de alta renda.

Com um sistema tão favorável aos profissionais, “não é coincidência que a LPL tenha se tornado a principal captadora de recursos no setor de gestão de patrimônio dos Estados Unidos”, disse Dunlop.

Entregando resultados

A LPL registrou um crescimento médio anual de 10,8% na captação líquida de novos recursos na última década, superando com folga gigantes como Charles Schwab (NYSE: SCHW), Morgan Stanley e JPMorgan Chase (NYSE: JPM).

Os ativos sob corretagem e consultoria da LPL dispararam 36% no ano passado, alcançando 2,4 trilhões de dólares. Esse salto ocorreu após a compra da Commonwealth Financial por 2,7 bilhões de dólares em agosto. A Commonwealth era a maior empresa independente de gestão de patrimônio do país, com 2.900 consultores financeiros e 285 bilhões de dólares em ativos sob corretagem e consultoria. O negócio “trouxe um ganho de escala substancial a um preço bastante justo”, explicou Dunlop.

A LPL tem recrutado novos clientes (no caso, os consultores financeiros) de forma muito eficiente. “Ela não tem tentado comprar participação de mercado oferecendo ajuda financeira para a mudança de corretora ou empréstimos que não precisam ser pagos”, afirmou o analista.

“Em vez disso, o compromisso da empresa em oferecer aos consultores excelentes taxas de remuneração, altos níveis de serviço e uma plataforma tecnológica competitiva permitiu que a LPL se consolidasse, aos poucos, como uma das principais captadoras de recursos do mercado.” Uma vez captados, esses recursos geram um ótimo retorno em relação aos custos (que são relativamente fixos) de negociação, verificação de normas, gestão de riscos e liquidação.

A LPL repassa quase 90% da receita gerada pelos consultores como forma de remuneração, observa Dunlop, superando com facilidade a faixa de 30% a 50% comum no modelo tradicional de consultores contratados como funcionários, o que torna a empresa muito atraente para os profissionais da área. A LPL mantém a expectativa de reter cerca de 90% desses recursos investidos.

Receita abundante, lucro sólido

A receita saltou 37% no ano passado, para 17 bilhões de dólares, impulsionada pela aquisição da Commonwealth. O lucro líquido ajustado subiu 28%. A margem de lucro operacional ajustada foi de 32,6% no quarto trimestre. Dunlop espera que esse número chegue à casa dos 41% a 42% no próximo ano e permaneça nesse nível até 2030.

No mercado de ações, os papéis da LPL caíram 18% no acumulado do ano, em meio à preocupação dos investidores de que a inteligência artificial possa substituir os consultores financeiros. No entanto, “já vimos essa história antes com a consultoria automatizada por robôs, que teve um avanço muito limitado apesar de existir há mais de uma década”, disse Dunlop. Ele acredita que a IA não irá eliminar o papel dos consultores.

De qualquer forma, as ações da LPL têm mostrado um desempenho sólido a longo prazo, com um retorno total anualizado de 16% nos últimos cinco anos, bem acima dos 10% registrados pelo índice financeiro do S&P 500.

Sendo assim, a LPL tem tudo para trilhar um futuro promissor. “A empresa construiu uma proposta de valor muito atraente, baseada na alta remuneração para os consultores, em uma plataforma tecnológica competitiva com uma excelente oferta de produtos, em serviços complementares e em um excelente nível de atendimento ao cliente”, concluiu Dunlop.

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