A Coca-Cola (NYSE: KO) já passou por muitos slogans publicitários em seus 140 anos como um ícone americano. Talvez o mais relevante para seu estado atual venha de 1969: “Coke, it’s the real thing” (que no Brasil ficou conhecido como “Coca-Cola, isso é que é”).
Neste ano, até agora, sua ação tem sido o grande destaque, disparando 13,3%, bem acima do ganho de 0,3% do S&P 500.
“A ação se beneficiou de uma geração de caixa robusta, presença global e bons pagamentos de dividendos em um momento em que os investidores têm migrado para ações mais seguras”, aponta a Barron’s.
O caixa gerado pelas operações totalizou US$ 7,4 bilhões em 2025, alta de 9% em relação a 2024. Os produtos da Coca-Cola são vendidos em mais de 200 países, e a empresa tem um retorno com dividendos de 2,57%, comparado a 1,15% do S&P 500.
O conjunto de marcas da Coca-Cola
A Coca-Cola possui cinco grupos de marcas.
Bebidas gaseificadas. Este é o portfólio principal da empresa, incluindo Coca-Cola, Sprite, Fanta, Schweppes e Fresca. A Coca-Cola lidera o mercado global de refrigerantes, respondendo por 43% do volume de vendas do mercado em 2024, 27 pontos percentuais à frente da PepsiCo (NYSE: PEP), segundo a Euromonitor. Este setor responde por cerca de 50% do volume de vendas da companhia.
Hidratação e esportes. Inclui a água Dasani e os isotônicos Powerade.
Sucos, laticínios e bebidas vegetais. Inclui os sucos Minute Maid e o leite ultrafiltrado fairlife.
Café e chá. Inclui Costa Coffee e Gold Peak tea.
Bebidas alcoólicas prontas para consumo. Inclui Jack Daniel’s & Coca-Cola e a bebida alcoólica gaseificada Topo Chico.
O modelo de negócios da Coca-Cola baseia-se na venda de xaropes e concentrados para engarrafadores independentes, responsáveis por comercializar as bebidas. Obviamente, a empresa também vende versões prontas em latas e garrafas.
Mas a maior parte da receita, 58%, vem da venda de xaropes e concentrados para os engarrafadores. Essas vendas geram margens brutas entre 60% e 80%, contra 30% e 40% para os produtos acabados.
No último ano, 41% da receita veio da América do Norte, 23% da Europa, Oriente Médio e África, 13% da América Latina, 11% da Ásia-Pacífico e 12% de investimentos em engarrafamento.
História e futuro
Analistas estão impressionados com a trajetória da Coca-Cola e otimistas quanto ao futuro. “A Coca-Cola construiu um grande diferencial competitivo no mercado global de bebidas, apoiado na força de seus ativos intangíveis e em uma considerável vantagem de custo”, escreveu Dan Su, analista da Morningstar.
“Isso permitirá à empresa entregar retornos de investimento acima de seu custo de capital por mais de 20 anos.” Para os próximos 10 anos, ele prevê um retorno médio sobre o capital investido de 38%, superando com folga o custo de capital de 7%.
Embora muitos consumidores tenham demonstrado uma certa relutância em pagar por produtos premium nos últimos anos, isso até agora não afetou muito a Coca-Cola.
Em termos de resultados, a receita líquida subiu 2% no último ano, para US$ 47,9 bilhões. A receita orgânica, que exclui efeitos cambiais e de fusões, cresceu 5%. Os ganhos vieram de um aumento de 4% na combinação de preços e portfólio de produtos e 1% em volume.
O lucro operacional ajustado avançou 6,6%, a margem operacional ajustada cresceu 1,2 ponto percentual, para 31,2%, e o lucro por ação ajustado cresceu 4,2%.
Su aprovou os números: “A Coca-Cola obteve um aumento nas vendas condizente com seu objetivo de longo prazo de crescer, em média, na casa de um dígito, graças a investimentos consistentes em marca e sua estratégia de oferecer todos os tipos de bebidas”, disse ela. “Esperamos que refrigerantes sem açúcar e bebidas funcionais sejam prioridades nos próximos anos.”
A Coca-Cola prevê novos resultados positivos, estimando que a receita orgânica suba 4% a 5% neste ano e que o lucro líquido por ação tenha alta de 7% a 8%. Sendo assim, aquele anúncio de 1982 que dizia “Coca-Cola é isso aí” pode muito bem estar certo.
O autor possui ações da Coca-Cola.
Economia ruim mas o pessoal não deixará de se alimentar e de tomar uma coca cola, mas fugirá de produtos de luxo.