A Iqvia Holdings (NYSE: IQV) está trabalhando para eliminar ineficiências nos testes clínicos, ajudando empresas farmacêuticas a cruzar a linha de chegada mais rápido com a introdução de novos medicamentos no mercado.
No final do ano passado, a Iqvia, uma empresa especializada em testes clínicos, investiu em inteligência artificial para gerenciar os componentes financeiros dos estudos e agilizar o processo.
A companhia conduz milhares de testes clínicos para empresas farmacêuticas, tanto para pequenas como para grandes companhias de biotecnologia. A Iqvia divulgou uma receita de US$ 4,4 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. A diretoria estimou que a receita em 2026 chegará a cerca de US$ 17,25 bilhões, o que representa um crescimento de 5,75%.
Os serviços da Iqvia estão com uma alta demanda. A empresa, que possui um valor de mercado de US$ 29 bilhões, também divulgou uma carteira de pedidos acumulados de US$ 32,7 bilhões, um aumento de 5% em comparação ao mesmo período do ano passado.
As ações da companhia caíram 7% no último ano. Os papéis receberam recomendação de compra de 22 bancos de investimento, três deram classificação de desempenho acima da média do mercado e dois recomendaram manter. O preço-alvo mediano é de US$ 240.
Alguns especialistas, incluindo Rachel Elfman, analista de ações da Morningstar, acreditam que o preço das ações pode subir e mantêm sua estimativa de valor justo em US$ 268.
“Vemos as ações como muito subvalorizadas, sendo negociadas atualmente com um desconto de 32% em relação à nossa estimativa de preço justo”, escreveu ela.
Um obstáculo temporário é que a Iqvia enfrenta maiores despesas líquidas com juros, que aumentarão em US$ 80 milhões em 2026 na comparação com 2025 devido ao refinanciamento de dívidas. Essa despesa impactará o crescimento do lucro líquido em 4%.
Inteligência artificial para eficiência
A especialidade da Iqvia em testes clínicos agiliza o processo, dando às empresas farmacêuticas mais tempo de exclusividade de patente, que começa a contar assim que um medicamento para tratar doenças como câncer, epilepsia ou diabetes é descoberto. As patentes geram margens de lucro maiores para as empresas de biotecnologia antes que os medicamentos sejam classificados como genéricos, momento em que o custo para os pacientes diminui.
Agora, a empresa incorporou a inteligência artificial para eliminar algumas ineficiências do processo e integrar “orçamento, contratação, projeções e fluxos de pagamento com dados compartilhados e processos de ponta a ponta”, afirmou a companhia. O sistema foi lançado no primeiro trimestre de 2026.
O software utiliza IA baseada em agentes autônomos para criar orçamentos, processar faturas e identificar anomalias, auxiliando clientes em mais de 200 regiões, de acordo com a Iqvia. Com isso, os clientes podem economizar até 50% do tempo de processamento.
Investir em IA para melhorar a eficiência é uma boa estratégia para a Iqvia gerar mais receita, avaliou Elfman.
“À medida que essas capacidades de IA forem implementadas e ampliadas, prevemos um aumento de receita no longo prazo e a melhoria das margens, levando a um crescimento de receita entre 5% e 9% em nosso período de projeção”, escreveu a analista.
Mais expansões e parcerias
Recentemente, a Iqvia expandiu sua atuação na descoberta de medicamentos em laboratório, buscando alternativas aos testes em animais e descobrindo pequenas moléculas com IA ao investir US$ 145 milhões nos ativos da Charles River Laboratories. O acordo, fechado em fevereiro, inclui cinco unidades especializadas na descoberta de medicamentos em laboratório para pesquisas iniciais em áreas como oncologia, neurologia, imunologia, metabolismo e doenças raras. Esses ativos geraram US$ 144 milhões em receita em 2025.
“Essa aquisição fortalecerá significativamente nossa capacidade de apoiar os clientes mais cedo no ciclo de Pesquisa e Desenvolvimento e complementa nossas atuais capacidades de desenvolvimento translacional e clínico”, disse David Morris, presidente dos Laboratórios Iqvia. “Integrar esses ativos às nossas capacidades atuais cria uma plataforma líder no setor de descoberta de medicamentos, com um histórico comprovado de levar programas de pesquisa para a fase de desenvolvimento clínico.”
A Iqvia também está colaborando com a Flagship Pioneering para aumentar sua capacidade de pesquisa clínica. A parceria utiliza IA, análise de dados e o desenho de testes clínicos para criar uma abordagem mais eficiente no desenvolvimento de medicamentos e na avaliação da viabilidade comercial inicial.
O trabalho se concentrará na estratégia de desenvolvimento e análise de medicamentos, no desenvolvimento clínico, além da avaliação de ativos e auditoria prévia para o ecossistema da Flagship, que inclui mais de 40 empresas de biotecnologia.
Uma grande base de clientes com alta taxa de retenção
Uma vantagem da Iqvia sobre seus concorrentes é sua alta taxa de fidelidade. A empresa mantém 99% de retenção entre seus 1.000 principais clientes. As farmacêuticas usam seus serviços para planejar o lançamento de novos produtos e projetar receitas, marketing e comercialização.
“Os clientes provavelmente continuarão escolhendo a Iqvia com base em sua reputação de confiança”, escreveu Elfman. “A liderança da Iqvia no mercado de organizações de pesquisa sob contrato (CRO) e os constantes avanços tecnológicos nos dão confiança de que ela será capaz de manter sua marca fortalecida e acompanhar a constante inovação na indústria.”
A experiência dos funcionários da Iqvia permite que a empresa “desenhe um teste clínico adaptado às exigências dos órgãos reguladores, identifique rapidamente pacientes-alvo em diversos locais do mundo para uma triagem ágil e, depois, preste consultoria sobre a coleta e a análise de dados para obter as aprovações regulatórias”, acrescentou a analista.
A carteira de clientes da empresa também é diversificada e inclui desde pequenas e médias empresas até gigantes farmacêuticas e de biotecnologia.
“Uma base de clientes diversificada fortalece a vantagem competitiva da Iqvia, já que as pequenas e médias empresas provavelmente precisarão de soluções de terceirização completas. Ao mesmo tempo, as grandes farmacêuticas oferecem parcerias preferenciais lucrativas com altos custos de transição de fornecedor, escolhendo apenas uma ou algumas CROs confiáveis para as quais direcionam a maior parte de seus novos negócios”, disse Elfman.
O número de empresas de biotecnologia que terceirizam seus testes clínicos aumentou para 60% em 2020, em comparação aos 36% registrados em 2007, segundo a analista.
“Esperamos que a adoção da terceirização continue crescendo de forma constante à medida que os testes se tornam mais complexos”, afirmou.
A Iqvia se destaca porque também conduz testes de fase avançada, conhecidos como Fase 3 nos Estados Unidos. Se esses testes forem bem-sucedidos, as farmacêuticas recebem a aprovação da agência reguladora americana para fabricar e vender um novo medicamento.
“A velocidade e a qualidade desses testes são essenciais, já que os testes clínicos de fase avançada são caros e as chances de sucesso são críticas para o negócio”, destacou ela.
A competência da Iqvia em conduzir testes clínicos, ao mesmo tempo em que investe em soluções de IA para oferecer mais serviços às empresas de biotecnologia, tem o potencial de atrair mais clientes e impulsionar o crescimento da receita e das margens de lucro.
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