Goldman Sachs (NYSE: GS), o gigante norte-americano dos bancos de investimentos, está operando a todo vapor, consolidando a recuperação iniciada em 2020 após 12 anos de dificuldades.
Depois de atingir o seu pico em outubro de 2007, a US$ 240, as ações da empresa só ultrapassaram esse patamar de forma definitiva em dezembro de 2020. Desde então, os papéis dispararam e chegaram a US$ 809 até segunda-feira, com o Goldman finalmente deixando para trás sua malfadada incursão no setor de banco de varejo.
Esse longo período de 13 anos de dificuldades ocorreu porque o governo dos Estados Unidos apertou as regulamentações bancárias após a crise financeira de 2008, restringindo os riscos que o Goldman poderia assumir em operações financeiras e investimentos. Lloyd Blankfein, presidente-executivo do Goldman de 2006 a 2018, sofreu para descobrir como o banco poderia prosperar na nova era bancária.
O Goldman frequentemente divulgava resultados trimestrais fracos em suas operações de mercado, apresentava desempenho abaixo do esperado na captação de recursos para a gestão de fortunas e até se envolveu em um escândalo no qual o fundo soberano da Malásia, o 1MDB, foi desviado.
A bem da verdade, outros grandes bancos também sofreram após a crise financeira. No entanto, por ser amplamente reconhecido como o líder dos bancos de investimentos nos EUA, o fraco desempenho do Goldman acabou chamando mais atenção.
Banco de varejo, um atoleiro
Um dos maiores erros do banco pode ter sido a entrada no mundo do varejo bancário em 2016. Não é fácil fazer a transição de clientes institucionais para clientes pessoa física. E o Goldman provou exatamente isso ao amargar um prejuízo de US$ 3 bilhões em sua divisão de varejo entre 2020 e o início de 2023.
Os executivos perceberam o erro e começaram a recuar em 2022. Por fim, o Goldman sofreu um impacto de US$ 2,26 bilhões na receita do ano passado ao vender sua carteira de crédito do Apple Card para o JPMorgan Chase (NYSE: JPM).
Isso marca o fim da unidade independente de banco de varejo do Goldman (embora pessoas físicas ainda tenham opções de serviços bancários em sua divisão de gestão de fortunas). E a decisão, sem dúvida, veio em muito boa hora.
Agora, tudo parece estar indo bem para o banco, cujas principais unidades incluem: Banco global e de mercados, que abrange o banco de investimentos e operações financeiras. Gestão de ativos e de fortunas.
O Goldman tem aproveitado uma economia forte, a queda nas taxas de juros e mercados financeiros vibrantes para impulsionar seu desempenho nessas áreas.
“O Goldman está consolidando sua posição como líder global em banco de investimentos, aprofundando seus relacionamentos com grandes clientes e ampliando sua base de receitas recorrentes geradas por tarifas para ajudar a mitigar a oscilação de mercado inerente às suas principais linhas de negócios”, escreveu Sean Dunlop, analista da Morningstar.
Lucros robustos
Ao analisar os resultados, a receita totalizou US$ 58 bilhões no ano passado, uma alta de 9% em relação a 2024, mesmo após o impacto negativo de US$ 2,3 bilhões causado pela carteira do cartão da Apple. O lucro avançou 20%, chegando a US$ 17,18 bilhões.
A receita vinda de tarifas do banco de investimentos disparou 21%; as operações com títulos, moedas e commodities cresceram 9%; a negociação de ações subiu 23%; e a receita com a gestão de ativos e de fortunas aumentou 2%.
O Goldman é famoso por sua força como banco de investimentos. A instituição ocupa o primeiro lugar em volume na indústria de assessoria em fusões e aquisições há mais de 20 anos consecutivos. Além disso, recuperou sua posição de destaque no mercado financeiro após perder o rumo sob a gestão de Blankfein no período pós-crise.
O tímido ganho de 2% na gestão de ativos e fortunas foi resultado de uma queda de 50% nos investimentos próprios do Goldman. Isso refletiu ganhos significativamente menores em participações em empresas de capital fechado e uma menor receita de juros em investimentos atrelados a dívidas, devido à redução do seu balanço patrimonial.
Dunlop vê com bons olhos o negócio de gestão de ativos e fortunas por conta de suas taxas estáveis, mas não aprova os investimentos próprios do Goldman: “Eles exigem uma alocação de capital significativa e diluem o retorno sobre o patrimônio líquido, embora os retornos devem aumentar à medida que o ambiente de monetização melhore.” No geral, ele prevê que o retorno sobre o patrimônio líquido do Goldman terá uma média de 15,7% na próxima década.
Uma instabilidade geopolítica duradoura poderia causar grandes problemas para o Goldman, assim como para a maioria das empresas norte-americanas. Mas, fora isso, o futuro da instituição parece promissor.
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