Passados apenas 16 anos desde o resgate governamental para evitar seu colapso, a General Motors (NYSE: GM), a maior montadora dos Estados Unidos, está em alta.
Graças a controles de custos rigorosos e à demanda de consumidores de alta renda, as vendas e os lucros estão se mantendo melhor do que os analistas esperavam. Isso fez as ações da GM dispararem 82% no último ano, muito acima dos ganhos do índice S&P 500 e das duas maiores concorrentes da empresa nos EUA: Toyota (NYSE: TM) e Ford (NYSE: F).
A GM absorveu alguns golpes pesados. As tarifas custaram US$ 3,1 bilhões no ano passado, embora esforços de mitigação, como a transferência de produção para os EUA, tenham reduzido esse impacto para US$ 1,9 bilhão. E o problema não vai desaparecer. A GM espera um impacto bruto de tarifas entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões neste ano.
O baixo volume de compras por consumidores de média e baixa renda (muitos não conseguem comprar carros zero-quilômetro) prejudicou a GM e outras montadoras. Grande parte dessas pessoas não teve melhoria financeira, e os preços dos automóveis aumentaram nos últimos anos.
A queda nas compras de veículos elétricos também atingiu a GM e seus pares. O governo dos EUA retirou o apoio ao setor, eliminando o crédito fiscal de US$ 7.500 para compra de veículos elétricos em setembro. A GM registrou US$ 7,6 bilhões em encargos relacionados a veículos elétricos em 2025.
Queda nos lucros
Não surpreende que a receita da empresa tenha caído 1,3% no ano passado, para US$ 185 bilhões. O lucro caiu 55%, para US$ 2,7 bilhões, pressionado pelos encargos com veículos elétricos. Mas mesmo diante desses encargos, as vendas de veículos elétricos da GM saltaram 48% no ano passado. Alguns motoristas ainda acreditam nos carros elétricos.
Os carros de motor a combustão interna de maior preço (principalmente movidos a gasolina) também tiveram alta demanda. As vendas da Cadillac subiram 8% no ano passado, e o SUV Buick Enclave teve seu melhor desempenho em cinco anos. As vendas totais de veículos a combustão interna cresceram 3% em 2025.
E há também os controles de custos. Entre as medidas adotadas, a GM demitiu entre 4.500 e 5.000 trabalhadores na América do Norte no ano passado, reduziu gastos com veículos elétricos e operações na China (onde as vendas caíram) e diminuiu a complexidade dos veículos ao compartilhar componentes entre diferentes modelos.
Redução progressiva de custos e recompra de ações
Os custos da GM ainda aumentaram nos últimos anos, mas o ritmo está desacelerando. Os custos subiram 11% em 2023, 7,5% em 2024 e 4,3% no ano passado.
As recompras de ações também ajudaram o desempenho da GM nos últimos anos, com US$ 23 bilhões em ações adquiridas desde novembro de 2023, reduzindo sua quantidade de ações em circulação em quase 35%. No mês passado, a empresa autorizou mais US$ 6 bilhões em recompras.
Além disso, aumentou o dividendo das ações em 20%. A GM previu que o lucro alcançará um valor entre US$ 10,3 bilhões e US$ 11,7 bilhões em 2026, de 3,8 a 4,3 vezes o total do ano passado.
De acordo com todas as análises, a GM possui uma CEO brilhante na figura de Mary Barra, que tem guiado a empresa por muitas tempestades desde que assumiu o cargo em 2014. Durante o primeiro ano sob seu comando, a GM emitiu 84 recalls de segurança para mais de 30 milhões de carros. Desde então, tem sido um desafio atrás do outro, incluindo a ênfase nos veículos elétricos e agora a redução dessa ênfase.
Contudo, a GM se mantém como uma das montadoras mais fortes do mundo e parece pronta para avançar tanto quanto uma indústria em rápida transformação permitir.
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