O ouro (CME: GCJ6) brilhou intensamente ao longo dos últimos dois anos e pouco, acumulando uma alta de 176% desde outubro de 2023 e chegando a US$ 5.055 por onça.
O metal precioso atingiu um recorde de US$ 5.595 em 29 de janeiro deste ano. Subiu 0,8% na segunda-feira, primeiro dia de negociações após o bombardeio ao Irã. Mas recuou 5% na terça-feira, voltando aos US$ 5.055.
Não é surpresa que, no longo prazo, alguns grandes investidores estejam muito otimistas com o ouro, enquanto outros sejam bastante pessimistas. O gigante dos fundos multimercado Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, está no lado otimista. Ele afirma que o ouro é o lugar mais seguro para os investidores colocarem seu capital e recomenda alocarem de 5% a 10% de suas carteiras nesse ativo.
Já o ícone dos investimentos Warren Buffett, fundador da Berkshire Hathaway (NYSE: BRK), discorda totalmente. Ele chama o ouro de ativo improdutivo, “que não faz nada”, dependente do medo e sem valor intrínseco. Diferentemente das empresas, ele não gera fluxo de caixa e, historicamente, teve um desempenho muito inferior ao das ações.
A Berkshire nunca possuiu ouro, embora tenha possuído por um curto período ações da mineradora Barrick Gold em 2020 (hoje chamada Barrick Mining – (NYSE: B)).
O ganho do ouro desde 2023 reflete, em parte, fundamentos econômicos. Bancos centrais vêm comprando o metal para diversificar suas reservas e reduzir a dependência do dólar. Eles adquiriram 1.955 toneladas no período de 2024 a 2025.
Mas outros fatores não acompanharam o que historicamente impulsiona o ouro. Ele costuma ser usado como proteção contra a inflação. No entanto, a inflação desacelerou durante a recente disparada do metal. O índice de preços ao consumidor nos EUA registrou 2,4% em janeiro de 2026, abaixo dos 3,7% de setembro de 2023.
Geopolítica, mercados financeiros e especulação
Turbulências geopolíticas também podem impulsionar o ouro. Mas os últimos três anos foram relativamente calmos até o bombardeio ao Irã. É claro que houve guerras na Ucrânia e em Gaza, porém contidas. O conflito com o Irã ajudou o ouro a subir na segunda-feira, mas aparentemente já perdeu força na terça.
Mercados financeiros voláteis também costumam favorecer o ouro. Porém, as ações vêm em uma forte tendência de alta nos últimos três anos, e os rendimentos dos títulos caíram desde outubro de 2023, apesar das oscilações.
O que parece ter dado maior suporte ao ouro nos últimos 29 meses foi o fervor especulativo. Especuladores viram um ativo em ascensão e entraram na onda, comprando ouro com outros ativos em alta: ações, crédito privado e títulos de alto rendimento. Investidores individuais também correram para o ouro, temendo ficar de fora da valorização.
Mas também há motivo para cautela. O ouro pode cair tão rápido quanto sobe, como mostrou a queda de terça-feira. Após atingir o pico de US$ 850 em 1980, o metal só voltou a esse nível em 2008. E, se ajustado pela inflação, só alcançou esse patamar novamente em setembro passado. Portanto, nem sempre é uma boa proteção contra a inflação.
Se a guerra com o Irã se ampliar, o ouro pode retomar sua escalada. Ainda assim, em algum momento, a sede especulativa pode diminuir.
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