A biofarmacêutica Gilead Sciences (NASDAQ: GILD) poderá gerar margens de lucro mais altas a partir de três novas terapias para tratar câncer e HIV.
A empresa já registrou crescimento em seus medicamentos para HIV e doenças hepáticas, que contribuíram para um lucro de US$ 2,18 bilhões no quarto trimestre, acima dos US$ 1,78 bilhão do ano anterior. A receita subiu 5%, para US$ 7,93 bilhões, superando as expectativas do mercado financeiro de US$ 7,69 bilhões.
A divisão de HIV da Gilead cresceu 6% na comparação anual, com o medicamento Biktarvy crescendo 7% e o portfólio de prevenção de HIV subindo 47%, disse o CEO Daniel O’Day durante uma teleconferência de resultados.
“Yeztugo, nosso injetável de prevenção do HIV administrado duas vezes por ano, já superou nossas metas de cobertura e está rapidamente ganhando participação de mercado, além de expandir o alcance da prevenção do HIV para novos usuários”, acrescentou.
Forte portfólio em desenvolvimento de novos medicamentos
A Gilead anunciou que possui 10 lançamentos em andamento ou potenciais até 2027, resultando no “portfólio de projetos mais forte em quase 40 anos de história”, disse O’Day. “A Gilead entra em 2026 em uma posição de força.”
A empresa tem ampliado os tipos de tratamentos oferecidos, incluindo medicamentos contra o câncer.
Os marcos foram alcançados em parte devido à estratégia de diversificação, considerada bem-sucedida nos últimos seis anos, afirmou O’Day.
A Gilead continua em busca de novas empresas farmacêuticas e “continuará a adicionar ao nosso portfólio com fusões e aquisições apropriadas”, disse.
“Estamos muito preparados. Somos proativos e disciplinados”, acrescentou. Em 2020, a empresa investiu US$ 21 bilhões na compra da Immunomedics e seu conjugado anticorpo-fármaco (ADC) Trodelvy, que trata câncer de mama metastático triplo-negativo e HR+/HER2-.
As vendas de produtos aumentaram 5% para US$ 7,9 bilhões no quarto trimestre, impulsionadas pela receita de HIV e doenças hepáticas, e tiveram seu crescimento parcialmente atenuado pela queda nas vendas de Veklury, tratamento contra Covid-19.
Os medicamentos da Gilead para HIV e hepatite C (VHC) geram “margens de lucro excepcionais” porque não exigem grandes equipes de vendas e têm custo de fabricação relativamente baixo, escreveu Karen Andersen, diretora da Morningstar.
“Achamos que seu portfólio e os projetos em desenvolvimento sustentam uma ampla vantagem competitiva e, com o mercado de VHC estabilizado, a Gilead precisa de inovação contínua em HIV, bons lançamentos em oncologia e aquisições inteligentes para voltar a crescer”, acrescentou.
Mas a Gilead vem expandindo seu portfólio para além de seus tratamentos para HIV e VHC a partir de suas aquisições anteriores
Para doenças hepáticas, a terapia Hepcludex (da aquisição da Myr) contra hepatite D é “diferenciada”, enquanto o medicamento Livdelzi para colangite biliar primária (da CymaBay) “ganhou participação significativa”, disse Andersen.
“A aquisição da Immunomedics em 2020 (Trodelvy, para câncer de mama) estabeleceu a presença da Gilead em tumores sólidos, e a aquisição da Kite (Yescarta) e a colaboração com a Arcellx (anitocel) deram à empresa exposição ao mercado de câncer hematológico com terapias CAR-T”, acrescentou.
A Gilead estima que as vendas totais de produtos em 2026 ficarão entre US$ 29,6 bilhões e US$ 30 bilhões.
Tanto os medicamentos de prevenção quanto os de tratamento de HIV devem crescer 6% em 2026. A receita de Yeztugo deve atingir US$ 800 milhões em 2026, contra US$ 150 milhões em 2025, sendo o “primeiro tratamento de prevenção do HIV semestral do mundo”, disse a empresa.
A Gilead, com valor de mercado de US$ 172,9 bilhões, enfrenta concorrência da GSK (NYSE: GSK), ligeiramente menor, com US$ 123,5 bilhões.
A GSK lançou “esquemas terapêuticos de dois medicamentos baseados em seu inibidor de integrase Tivicay (Juluca em 2017 e Dovato em 2019)”, disse Andersen. “No entanto, os lançamentos dos medicamentos Genvoya (2015), Odefsey (2016), Descovy (2016) e Biktarvy (2018) da Gilead estendem a proteção de patentes até a década de 2030 e aumentam a participação de mercado da empresa. O novo medicamento lenacapavir (aprovado como Sunlenca para pacientes com HIV resistente ao tratamento e como Yeztugo para prevenção) também tem potencial para ampliar ainda mais a proteção de patentes da Gilead e atender mais pacientes nos mercados de prevenção e tratamento.”
O portfólio crescente de tratamentos da Gilead, os potenciais novos lançamentos e o sucesso contínuo com seus medicamentos contra HIV podem impulsionar o crescimento e as margens de lucro.
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