A AutoZone encontra sua zona de conforto

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

Alguns especialistas preveem que este será o ano em que as ações de valor irão brilhar, à medida que o crescimento econômico desacelera. 

Se este for o caso, isso deve ser música para os ouvidos da AutoZone (NYSE: AZO), a maior varejista de peças automotivas dos EUA em número de lojas, mais de 7.700. A empresa tem um crescimento sólido, mas não espetacular, com receita crescendo 8,2% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 22 de novembro, em relação ao ano anterior. Sua relação preço/vendas é de 3,1, comparado a 3,4 do índice S&P 500.

O slogan do anúncio da AutoZone é “Entre no fluxo: AutoZone!” O que coloca a empresa no fluxo, acima de tudo, é um excepcional atendimento ao cliente e uma excelente rede de distribuição. 

Com cerca de 85% das vendas da AutoZone envolvendo peças relacionadas a falhas e manutenção, segundo a Morningstar, o prazo é essencial. São produtos como alternadores, baterias e velas de ignição. Obviamente, muitos de nós precisam dirigir diariamente em sua rotina, então as peças são essenciais.

A empresa possui mais de 7.700 lojas nos EUA, México e Brasil. Possui um modelo de distribuição centralizada com rotas radiais, com 300 de suas 6.600 lojas nos EUA constituindo unidades de distribuição regionais e grandes centros concentradores. Essas são muito maiores que as outras, que são lojas satélites. 

Vantagem competitiva

Esse sistema dá à AutoZone uma vantagem competitiva, dizem os analistas. Sua maior concorrente é a O’Reilly Automotive (NASDAQ: ORLY), que tem uma capitalização de mercado de 80 bilhões de dólares, comparada a 58 bilhões da AutoZone.

Os consumidores valorizam a conveniência e o serviço, até mesmo em detrimento de preços mais baixos, escreve o analista do Morningstar Kristoffer Inton. E o atendimento ao cliente da AutoZone está à altura. “A equipe da varejista frequentemente auxilia os clientes no diagnóstico de veículos, na encomenda da peça necessária para marcas e modelos específicos e até mesmo na substituição e teste de funcionamento das peças”, disse ele.

A empresa abriu, globalmente, 53 lojas no último trimestre e planeja “agressivamente” abrir mais, de todos os tamanhos, disse o CEO Phil Daniele na conferência de resultados da AutoZone em 9 de dezembro. A empresa espera construir 500 novas lojas até o ano fiscal de 2028.

Mais especificamente, a AutoZone possui ampla margem para expansão internacional, dada a sua baixa penetração de lojas em comparação ao mercado americano. “Nosso negócio está se tornando mais global a cada dia”, disse Daniele.

Outra oportunidade para a AutoZone é expandir seus negócios para clientes comerciais. No ano fiscal de 2025, 68% das vendas vieram de clientes faça-você-mesmo (indivíduos), e 32% vieram de clientes faça-por-mim (comerciais). As vendas domésticas para clientes comerciais saltaram 14,5% no último trimestre, e o potencial para novos ganhos está aí.

Mercado comercial fragmentado

O mercado comercial de peças automotivas continua fragmentado, com a AutoZone detendo apenas uma participação na faixa média de um dígito, disse Inton. “A empresa tem a oportunidade de tomar participação de mercado de operadores independentes e consolidar gradualmente a indústria.”

Enquanto isso, a AutoZone está se beneficiando do envelhecimento da frota dos EUA. A idade média dos carros americanos é de 12,8 anos, um aumento de 8% em relação aos 11,9 anos em 2020. Isso significa uma maior necessidade de peças. Dada a explosão dos preços dos carros novos, essa tendência dificilmente mudará tão cedo. O preço médio de um carro novo ultrapassou US$ 50.000 em setembro, disparando mais de dois terços nos últimos 15 anos. 

Quanto às ações da AutoZone, elas geraram retornos totais de 8,4% em um ano, 22,4% em cinco anos e 17,1% em 10 anos. O desempenho é inferior ao do S&P 500 em um ano, mas superior nos prazos de cinco e dez anos.

Olhando para o futuro, a AutoZone pode estar caminhando para um sucesso ainda maior. “Seu crescimento consistente de vendas em lojas comparáveis e margens brutas acima de 50% sugerem que seu foco no atendimento ao cliente e na conveniência oferecida por suas lojas físicas são uma fórmula vencedora”, disse Inton. Ele vê retornos fortes sobre o capital investido para um “horizonte previsível.”

Talvez seja hora de entrar no fluxo.

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