Aon e Marsh: As praças de pedágio da indústria de seguros

Dan Weil Analista de Notícias do Mercado

A indústria de corretagem de seguros não é conhecida por ser glamorosa. Mas inclui empresas com características defensivas atraentes: crescimento lento, porém constante.

Essa é a expectativa dos analistas para os dois maiores players do setor: Marsh & McLennan (NYSE: MMC) e Aon (NYSE: AON). A Marsh tem valor de mercado de US$ 91 bilhões, enquanto a Aon vale US$ 75 bilhões. A Aon atende principalmente empresas de médio porte, enquanto os principais clientes da Marsh são grandes multinacionais.

Dada a necessidade contínua das corporações por seguros, a corretagem pode ser considerada um “bem corporativo essencial”, semelhante às ações de consumo básico.

Marsh e Aon encontram apólices de seguro para empresas e oferecem consultoria em riscos e outras áreas. A Oliver Wyman, da Marsh, fornece consultoria de gestão tradicional, enquanto a Aon oferece consultoria em recursos humanos, em temas como saúde e benefícios de aposentadoria.

Para a Marsh, seu segmento de risco e seguros respondeu por 61% da receita no terceiro trimestre, e a unidade de consultoria representou o restante. Para a Aon, a divisão de risco e resseguro respondeu por 63% da receita, e as soluções de saúde e patrimônio completaram o restante. “Patrimônio” refere-se ao setor de aposentadoria.

A receita de corretagem de seguros das empresas vem de comissões pagas pelas seguradoras com base nos prêmios. Assim, Aon e Marsh dependem fortemente das tendências de precificação de seguros. Os preços agregados de seguros comerciais dispararam 10% em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid, mas vêm desacelerando desde então, subindo apenas 3,8% no segundo trimestre.

Crescimento de receita

A receita da Aon e da Marsh se manteve firme no terceiro trimestre, com a Aon crescendo 7% e a Marsh 11%. No entanto, analistas afirmam que uma desaceleração nos ganhos é provável.

No caso da Marsh, nos 10 anos anteriores à pandemia, o crescimento orgânico da receita variou entre 3% e 5% ao ano. “E esse número é mais indicativo do potencial de crescimento de longo prazo”, escreveu o analista da Morningstar, Brett Horn. Ele tem visão semelhante para a Aon: crescimento anual de 5% nos próximos cinco anos, excluindo as vendas provenientes da aquisição da corretora NFP em 2024.

Essa perspectiva excessivamente cautelosa para as duas empresas pode explicar a queda de suas ações em 2025, após bons ganhos nos anos anteriores. A Aon teve retorno total praticamente estável no último ano, enquanto a Marsh caiu 9,7%. Esses resultados ficaram bem abaixo dos 17,7% de retorno do S&P 500.

As duas empresas tiveram desempenho melhor em períodos mais longos, mas ainda ficam atrás do S&P 500 em três, cinco e dez anos.

Isso não é uma crítica à Aon e à Marsh. Significa apenas que são ações defensivas, não de crescimento. Elas têm um sólido modelo de negócios, estando “unicamente posicionadas para desempenhar uma função necessária de gestão de riscos”, como coloca Horn.

Pontos fortes do modelo de negócios 

“Os corretores podem ajudar os clientes a entender de quais tipos de seguro precisam”, disse Horn. “Eles então podem pesquisar o mercado de forma mais eficaz do que compradores individuais, ajudando clientes a comparar habilidades, solidez financeira e reputação das seguradoras.” A presença global da Marsh e da Aon amplia sua base de conhecimento.

A complexidade de seus serviços cria custos de troca, já que os clientes veem valor em trabalhar com um corretor experiente na gestão de riscos, afirmou Horn. Isso leva à retenção de clientes, que supera 90% na Aon.

Diante da demanda inelástica por seguros, não surpreende que as corretoras tenham superado o índice S&P 500 em cinco das últimas sete recessões, desde 1980, como destacou Bob Jian Huang, do Morgan Stanley, à Barron’s.

Horn chama Marsh e Aon de negócios “praças de pedágio”, pela capacidade inata de gerar receita. Parece que elas continuarão avançando, ainda que em ritmo lento.

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