A empresa de biotecnologia Amgen (NASDAQ: AMGN) está apostando que seu grupo de medicamentos cardiovasculares e imunológicos a ajudará a superar a concorrência.
A gigante farmacêutica, que possui um valor de mercado de US$ 187 bilhões, está investindo forte em cardiologia e imunologia, duas especialidades que têm gerado medicamentos inovadores capazes de impulsionar sua receita.
Foco em cardiologia e imunologia
A Amgen está expandindo sua linha de desenvolvimento de produtos nessas áreas para competir com rivais e aumentar sua margem de lucro. Seus medicamentos mais recentes, como o Repatha, que reduz o colesterol, tornaram-se grandes sucessos de vendas e ajudam a manter o fluxo de caixa livre acima de 30% das vendas, segundo Karen Andersen, diretora da Morningstar. A estimativa é que o Repatha gere US$ 4,5 bilhões a longo prazo.
Outros medicamentos, como o Blincyto (para câncer) e o Tezspire (para asma), também fortalecem os resultados da empresa. Lançado nos Estados Unidos em 2022, o Tezspire tem potencial para gerar US$ 3 bilhões em vendas.
Segundo Andersen, tanto o Repatha quanto o Tezspire estão “prestes a se tornarem produtos líderes de mercado até 2030, junto com o medicamento oncológico Lumakras (aprovado em 2021)”. Apesar do início lento do Repatha, a expectativa é que os anticorpos da classe PCSK9 possam gerar um pico de US$ 7 bilhões em vendas. Há um grande potencial de crescimento em volume, o que deve compensar as pressões sobre os preços e as novas ameaças da concorrência (como o Leqvio, da Novartis, e o enlicitide oral, da Merck).
Aquisições feitas no passado também contribuíram para a margem de lucro da Amgen, a exemplo da Decode, um banco de dados de genética humana que permite à empresa identificar possíveis novos alvos para medicamentos e desenvolvê-los.
O Programa de acesso direto ao paciente é lançado
A receita da Amgen aumentou 9% no quarto trimestre, chegando a US$ 9,87 bilhões e superando as estimativas de Wall Street (US$ 9,47 bilhões).
O lucro da empresa de biotecnologia foi de US$ 1,33 bilhão, contra US$ 627 milhões no mesmo período do ano anterior. Um salto de 111%, impulsionado pelo aumento da receita e por menores perdas contábeis em investimentos em ações.
A receita com as vendas de produtos da Amgen cresceu 7%, impulsionada por um aumento de 10% no volume. Já o preço de venda de seus produtos caiu 4%.
A empresa projeta uma receita entre US$ 37 bilhões e US$ 38,4 bilhões para 2026, enquanto as previsões do mercado financeiro apontam para US$ 37,19 bilhões. As ações da companhia subiram 23% nos últimos seis meses.
Em outubro, a Amgen lançou o AmgenNow, um programa de acesso direto ao paciente criado para reduzir os custos dos medicamentos. A iniciativa está alinhada ao apelo da Casa Branca para baratear os remédios vendidos sob prescrição médica nos EUA.
Mas a Amgen enfrenta o desafio da concorrência de biossimilares e de medicamentos de referência, mesmo que seu grupo de novos remédios esteja “mantendo as vendas totais estáveis”, afirmou Andersen.
“Bulas mais restritivas e políticas de reembolso mais difíceis já vinham afetando os medicamentos para anemia Epogen e Aranesp desde que surgiram preocupações com a segurança em 2007. Além disso, o lançamento do biossimilar Retacrit pela Pfizer, em 2019, está pesando nas vendas”, escreveu ela. “Os medicamentos para neutropenia, Neupogen e Neulasta, também estão em declínio devido ao lançamento de novos biossimilares”.
A empresa combate esses desafios aumentando a eficiência na produção, o que libera recursos financeiros para pesquisa, desenvolvimento e divulgação de seus medicamentos para doenças cardiovasculares.
“A melhora na eficiência de fabricação não apenas beneficiará as margens brutas, mas também pode dar à empresa uma vantagem competitiva de custos no mercado de biossimilares”, afirmou Andersen.
Em 2019, a Amgen comprou o Otezla, um medicamento imunológico de uso oral que “complementa bem” o Enbrel, utilizado em condições inflamatórias autoimunes crônicas, acrescentou a analista.
A Amgen está ampliando sua linha de biossimilares em uma tentativa de competir com as linhas de produtos já consolidadas de oncologia e imunologia da Roche e da AbbVie (NYSE: ABBV).
Segundo Andersen, “a experiência da Amgen em superar barreiras regulatórias, clínicas e de fabricação, somada à sua forte reputação em terapias de referência, coloca a empresa como líder no setor de biossimilares”.
Como uma empresa de biotecnologia, a Amgen e seus concorrentes gastam milhões de dólares para criar biossimilares, que são um tipo de medicamento biológico eficaz para tratar doenças e enfermidades, de acordo com a agência reguladora americana (U.S. Food and Drug Administration, FDA). Os biossimilares são mais baratos do que os biológicos originais e são semelhantes à criação de uma versão genérica de um medicamento.
A empresa já investiu mais de US$ 2 bilhões em uma linha de 11 medicamentos biossimilares (já aprovados ou em fase de desenvolvimento) voltados para o tratamento em oncologia, inflamações e doenças raras.
Os medicamentos de cardiologia e imunologia da Amgen devem continuar gerando margens elevadas, uma vez que mais pacientes estão sendo diagnosticados com doenças que exigem tratamentos contínuos e de longo prazo.
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