O conglomerado de metais e químicos Albemarle (NYSE: ALB) está colhendo os frutos da alta nos preços do lítio, já que a demanda por armazenamento de energia em centros de dados continua a disparar.
Fornecedor de bromo e um dos maiores produtores de lítio do mundo, a Albemarle está se beneficiando da cotação do lítio acima de US$ 24.000 por tonelada, após ter caído para o menor nível em quatro anos, US$ 8.000 em 2025.
Restrições no mercado de lítio
Os preços subiram recentemente quando o governo do Zimbábue anunciou, em 25 de fevereiro, que iria impor uma proibição às exportações de concentrado de lítio, gerando preocupações com a redução da oferta, segundo a Reuters.
Embora a notícia tenha sido positiva para os acionistas da Albemarle, o Zimbábue “representou menos de 5% da produção global de mineração de lítio em 2025, em termos de equivalente de carbonato de lítio”, escreveu Seth Goldstein, analista sênior da Morningstar. “Apesar disso, a proibição cria um choque de oferta, já que o mercado estava em equilíbrio e agora provavelmente passará a operar em déficit no curto prazo.”
Nos últimos meses, os preços do metal usado em baterias “praticamente dobraram”, acrescentou. Estima-se que os preços permaneçam em torno de US$ 20.000 por tonelada, com base no “custo marginal de produção”, disse Goldstein.
Os lucros e o fluxo de caixa da Albemarle devem melhorar com esses preços mais altos, especialmente à medida que a demanda por armazenamento de energia continua a crescer.
“Prevemos que os lucros do segmento de armazenamento de energia (lítio vendido para baterias) praticamente triplicarão em 2026 em comparação com 2025”, escreveu. “Isso também deve impulsionar uma geração de fluxo de caixa livre muito melhor para a empresa.”
Mas os investidores devem esperar que os preços “permaneçam voláteis” devido aos ciclos de alta e baixa, embora em média fiquem próximos ao custo marginal de produção no longo prazo, disse Goldstein.
Usado na fabricação de baterias para eletrônicos e veículos elétricos, o lítio é um metal crítico. Desde 2020, seus preços oscilaram fortemente. Enquanto dispararam em 2021 e 2022, caíram rapidamente quando a demanda por veículos elétricos desacelerou e os consumidores passaram a trocar celulares e notebooks em ritmo mais lento.
As ações da Albemarle subiram 155% no último ano, acompanhando a alta do lítio.
A empresa divulgou vendas líquidas de US$ 1,4 bilhão no quarto trimestre, alta de 16%, enquanto o volume cresceu 12%, com ganhos em todos os segmentos, liderados por armazenamento de energia, com alta de 17% e Ketjen com 13%. No quarto trimestre, o preço à vista de referência do lítio ficou em média em US$ 9.500 por tonelada, contra US$ 8.500 um ano antes.
A Albemarle registrou prejuízo líquido de US$ 414 milhões, incluindo itens fiscais e desvalorização contábil de ativos devido à transação esperada da Ketjen. A empresa deve concluir a venda de sua participação de 51% na Ketjen, sua divisão de catalisadores, para a KPS por US$ 660 milhões no primeiro trimestre de 2026. Ela também fechou a venda de 50% da associação de empresas Eurecat por US$ 123 milhões em janeiro de 2026.
Mas a Albemarle divulgou o EBITDA (em português, Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado de US$ 269 milhões, uma alta de 7%, liderado por armazenamento de energia, com uma alta de 25% e Ketjen, com alta de 39%.
A Albemarle, que também é uma grande fornecedora de bromo usado em produtos agrícolas e retardantes de chama, vem tentando cortar custos operacionais e alcançou US$ 450 milhões em melhorias de custo e produtividade, superando a meta inicial de US$ 300 a US$ 400 milhões.
“A Albemarle registrou um crescimento nas vendas de mais de 15% no quarto trimestre em relação ao ano anterior, além de sólida geração de caixa no acumulado do ano e avanços expressivos em custos e produtividade”, afirmou o CEO Kent Masters. “Mesmo com o mercado apresentando melhora, seguimos promovendo medidas de corte de gastos e ganho de eficiência para garantir o crescimento no longo prazo.”
Uma demanda global maior
O consumo global de lítio para armazenamento de energia deve aumentar 45,6% em 2030 em relação à estimativa de 2025, segundo analistas da S&P Global Energy CERA.
A maior demanda deve gerar mais receita para a Albemarle, especialmente com o aumento das vendas de veículos elétricos, os maiores consumidores de lítio, e à medida que mais centros de dados são construídos para atender à expansão da computação em IA.
A Albemarle estima gerar uma receita entre US$ 5,7 bilhões e US$ 6 bilhões e EBITDA entre US$ 2,4 bilhões e US$ 2,6 bilhões se os preços do lítio ficarem em média em US$ 20.000 por tonelada.
“Também vemos as vendas globais de veículos elétricos crescendo, o que elevará a demanda por lítio”, disse Goldstein em evento da S&P Global Energy em 5 de dezembro. “Com a demanda crescendo mais rápido que a oferta em 2026, vemos o mercado passando de excesso de oferta para equilíbrio até o fim do ano.”
O armazenamento em grande escala para a rede elétrica também deve aumentar, especialmente com a necessidade de infraestrutura para centros de dados.
“Esperamos que os sistemas de armazenamento de energia em baterias tenham um crescimento na faixa intermediária de dois dígitos em 2026 e continuem sendo a fonte de demanda de lítio que mais cresce”, disse.
A Albemarle estima que o uso de lítio para armazenamento de energia aumentará 90% na comparação anual. Nos EUA, o crescimento no armazenamento de energia foi de 145% na comparação anual até setembro.
“Esperamos que a demanda por lítio em aplicações de armazenamento estacionário aumente mais de 2,5 vezes até 2030”, disse Masters em uma teleconferência de resultados no dia 6 de novembro.
A região com o crescimento mais rápido na demanda por armazenamento de energia é a América do Norte, já que “o aumento dos investimentos em centros de dados e IA nos Estados Unidos eleva a demanda por eletricidade e por estabilidade na rede elétrica”, afirmou ele.
À medida que a demanda por computação em IA continua a crescer rapidamente e as vendas de veículos elétricos aumentam no mundo todo, a Albemarle se beneficiará da necessidade de usar mais lítio nas baterias para armazenar energia.
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